quarta-feira, 19 de outubro de 2011
PESQUISA COM TRANSEXUAIS MOSTRA PRECONCEITO
As mulheres transexuais freqüentemente não aguentam o preconceito e as agressões que sofrem durante o processo de transição de sexo. É o caso da militante transexual Carla Machado. Formada pela USP e com MBA em marketing, Carla largou o emprego de nove anos em uma multinacional por não agüentar a hostilidade no trabalho. Ela conta que, desde criança, sentia-se uma mulher e só se deu conta de que era um menino ao chegar à puberdade. Daí viveu um período que chamou de fase andrógina. Ela se vestia com roupas neutras e escondia a identidade feminina para conseguir terminar a faculdade e encontrar um emprego. Aos poucos, foi sentindo a necessidade de se libertar e começou a tomar hormônios. As mudanças, porém, não passaram despercebidas na empresa.
“Primeiro deixaram de me chamar para as reuniões semanais com a diretoria. Depois algumas colegas para quem eu contei minha situação espalharam a notícia. Eu sabia que o diretor de recursos humanos não queria que eu permanecesse na empresa. Fiz um acordo que me deu vantagens e fui embora. Eu não podia ficar lá”, afirma.
A hora de mudar de sexo
Um outro ponto detectado pelo estudo de Kristen Schilt foi que os homens transexuais fazem a transição de gênero em média 10 anos antes de as mulheres transexuais. As meninas geralmente vislumbram os privilégios de pertencer ao sexo masculino e mudam a aparência física ainda no final da adolescência ou durante a faixa dos vinte anos. Já os homens receiam perder o emprego, a independência financeira ou até mesmo magoar a família se assumirem sua identidade feminina. Muitos, por imposição da sociedade, chegam a se casar e ter filhos.
Helena, uma transexual que não prefere não revelar sua identidade, relatou que a decisão de assumir a transexualidade só veio aos 43 anos. Ela teve uma breve carreira militar, era casada e tem uma filha. A auto-repressão quase a enlouqueceu. Helena tinha medo de perder o emprego de artista plástica em uma grande produtora cultural. “Mas chegou um momento em que eu não pude mais agüentar. Ao mesmo tempo que ainda tenho um pouco de dificuldade em me aceitar, era uma violência comigo mesma negar que eu era uma mulher. As pessoas tomam um choque, mas tive a felicidade de minha família entender e de os colegas de trabalho aceitar”.
O desfecho de aceitação da história de Helena, no entanto, não reflete a maioria dos casos, apesar de não ser possível determinar o que é maioria, já que não há estatísticas sobre a população transexual. Nem estimativas. De acordo com a professora Berenice Bento, não há políticas públicas de proteção e inserção dos transexuais na sociedade. No site do Ministério do Trabalho há um programa chamado Brasil Raça e Gênero que afirma, em termos vagos, possuir ações para a inclusão dos transexuais no mercado de trabalho. Ao ser solicitada, a assessoria do Ministério informou que, apesar de tais medidas constarem no programa, nenhuma ação ou política foi estabelecida. A Secretaria Especial de Direitos Humanos também não tem programas específicos para transexuais. O Ministério Público do Trabalho não tem números sobre os processos por preconceitos contra transexuais no mercado de trabalho.
O preconceito contra transexuais
A escassez de dados ajuda a deixar ainda mais distante das vistas da sociedade a situação dos transexuais, que, segundo Berenice, é “absolutamente trágica”. A inserção no mercado formal é baixíssima. Em sua tese de doutorado, a professora analisou um grupo de 20 transexuais de diferentes classes sociais escolhidas aleatoriamente. Das 20, apenas uma havia entrado na faculdade e, mesmo assim, não tinha conseguido concluir os estudos por conta do preconceito.
O cenário para as transexuais, no entanto, é de ligeira melhora, afirma a militante Carla. A principal razão é a recente decisão do Ministério da Saúde de incluir a cirurgia de mudança de sexo na lista de procedimentos pagos pelo SUS. A transferência das ações do Ministério para a área da saúde da mulher agradou as transexuais, que querem ter o reconhecimento de que não são homens que se vestem de mulher, mas mulheres de fato. Mas a evolução ainda é insuficiente na opinião da socióloga Berenice Bento, que vê no Estado o principal agressor das transexuais por causa da ausência de políticas públicas e da ação violenta da polícia. “Se faltam diretrizes básicas para a proteção física das transexuais, pensar em inserção no mercado de trabalho é algo muito distante”, diz.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
ANDANDO PARA CIMA
IBGE mostra que o Brasil
é um país de grande mobilidade
social mas avisa: muitos sobem
pouco e poucos sobem muito
Os brasileiros entrevistados nesta reportagem não saíram dos livros de auto-ajuda. São gente de carne e osso, homens de barba, barriga saliente, roupa amassada e sapato com marcas de terra. São uma amostra dos 10,5 milhões de chefes de família que chamaram a mulher e os filhos para carregar a trouxa e subir na vida. Após duas décadas de esforço e suor na testa, ajudaram a criar um país melhor. O Brasil já foi o país da miséria rural, de uma vida tão ruim que a distância nem era medida pelo nível de renda, mas pelo patamar diferente de civilização que se observava em um bairro de cidade e em uma colônia de empregados na fazenda do coronel. Ali, longe da cidade, vivia a fatia mais numerosa da população. Esse Brasil mudou. Hoje os pobres do campo são uma fatia que não pára de encolher, dia após dia. A fatia mais larga está no meio, abrigando um povo típico das cidades, com seus pequenos profissionais, motoristas, operários, funcionários de escritório – a chamada classe média baixa. Essa gente encara um cotidiano de dificuldades imensas, mas já venceu o sufoco sombrio e pesado dos andares inferiores.
Conclusão: a população brasileira está em um processo febril de mobilidade. Boa notícia: essa mobilidade ocorre para cima na maior parte dos casos. Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, PNAD, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, informa que nada menos de 63% da população mudou de lugar em duas décadas. Num trabalho que compara o país de hoje com o de 1973, os entrevistadores do IBGE saíram a campo, em 1996, para fazer as mesmas perguntas ao mesmo tipo de gente ouvida duas décadas atrás – 42.000 chefes de família, todos homens, empregados, com idade entre 20 e 64 anos. Após três anos desagregando dados, comparando resultados e fazendo projeções, só agora foi possível chegar a números exatos e conclusões claras. Nos dados gerais, o levantamento confirma que no Brasil a mobilidade social é altíssima, comparável à de poucos países, como Austrália e Estados Unidos.
Retirantes: o progresso numa travessia com dor
e sofrimento
Para cada quatro brasileiros que subiram na vida, apenas um caiu, informa o levantamento. Em números exatos, a relação é de 49% para 13%. A pesquisa também chegou a detalhes precisos. Apurou que a maioria só começa a progredir depois dos 30 anos – antes disso está entrando na profissão, ganha mal e tem pouca chance de subir. Em uma revelação surpreendente, o IBGE afirma que a melhor idade para uma arrancada é perto dos 60 anos, entre 55 e 59 – momento da carreira em que o gerente é promovido a diretor e o executivo abre seu negócio.
Desconfie daqueles que reclamam que o Brasil tem novo-rico demais. O que o Brasil tem, em linguagem menos preconceituosa, é rico novo. Há vinte anos, a elite abrigava 3,5% dos chefes de família. Engordou mais de um terço e agora representa 4,9%. Seu clube continua pequeno, mas não é fechado. Atenção: apenas um quinto dos habitantes do topo do edifício social brasileiro já nasceu nesse lugar. Os outros trazem o sangue novo dos andares de baixo. O espetacular é que 20% desses rompedores são filhos de pais que subsistiam na miséria rural. Isso mesmo: gente que vivia com enxada na mão, em palhoça, sem água encanada nem luz elétrica. Na categoria "elite", a pesquisa não coloca apenas os empresários de projeção ou mesmo os homens de muito dinheiro. Incluem-se na classificação os professores universitários, os altos funcionários, os donos de negócios como restaurante e imobiliária. São pessoas que estão no topo, embora não se possa comparar sua condição com a de Antonio Ermírio de Moraes ou a de Olavo Setubal. Esse clube cresce pela educação. Uma pesquisa entre estudantes de ciências sociais mostra que 30% deles são filhos de trabalhadores sem qualificação. Os pais de 11% não sabem ler nem escrever. Um levantamento entre os juízes mostra situação idêntica. Em 1960, apenas 2,5% dos estudantes da Universidade de São Paulo vinham do andar de baixo.
Em um artifício para abrir as entranhas do país numa prancheta de microscópio, a pesquisa dividiu a população em seis faixas. Cada chefe de família encontra seu lugar, ali, a partir de uma equação matemática que combina fatores como a ocupação da pessoa, sua renda no trabalho, os anos de estudo – em comparação com o pai. Com esse método, mede-se o chamado status sócio-econômico das pessoas, apontando seu degrau na escada social. Por razões metodológicas, o levantamento só entrevistou homens responsáveis pelo sustento da casa, deixando de lado as mulheres, que em número cada vez maior garantem a geladeira e a escola dos filhos (veja reportagem).
Ao contrário dos levantamentos sobre inflação, desemprego e popularidade, as pesquisas sobre mobilidade desenham realidades de longo prazo e contam histórias de sucesso que enchem de orgulho seus protagonistas. Filho de uma faxineira, Florestan Fernandes não conheceu o pai, alfabetizou-se com dificuldade, mas tornou-se professor da sociedade paulistana na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Colosso milionário, Olacyr de Moraes morou em casas apertadas de bairros populares e começou a trabalhar numa pequena empresa de caminhões do pai. Intelectuais que imaginaram o Brasil como o país de uma oligarquia imutável passaram décadas tentando provar que os pobres estavam predestinados à pobreza e os ricos tinham lugar assegurado na riqueza. Essa visão nada mais era do que um preconceito.
Ninguém precisa cultivar a ilusão de que é fácil subir. A travessia social não é um passeio recompensado pelo descanso na terra prometida, mas uma caminhada de sacrifício e dor. Tangida pela carência, pela doença, a maioria das pessoas acaba expulsa de onde residia até chegar a um lugar melhor para viver – às vezes, um barraco numa favela, um quarto numa pensão. Os brasileiros de origem pobre que conseguem ascender ao clube dos ricos chamam a atenção pela proeza que realizam. Mas não é fácil chegar lá, obviamente. A chance de um filho de pai muito pobre subir até o topo é de 1,8, contra 98,2. Parece nada, mas já é muita coisa quando se compara a mobilidade social no Brasil com a de outros países. Na maior parte dos casos, ascensão significa chegar a um objetivo mais modesto que a obtenção do sucesso absoluto e definitivo. Conseguir viver com luz elétrica, água encanada e escola para os filhos nas imediações de casa são elementos que traduzem ascensão social para milhões de brasileiros.
Foto: Egberto Nogueira
Balcão de emprego: ascensão social é luz elétrica
e água encanada
Na pesquisa, o IBGE colheu dados objetivos, mas também queria conhecer a opinião de cada entrevistado. Perguntou-se se ele considerava que as chances para subir, hoje em dia, estavam iguais, melhores ou piores que no passado. O resultado é curioso. Embora 49% tenham progredido na vida, apenas 37% disseram que as chances de subir cresceram. Os demais responderam que tudo ficou igual – ou até piorou. Ocorre com a mobilidade social um desses casos de copo com água até a metade – pode estar meio cheio ou meio vazio. Para quem olha de cima, o balanço é positivo, pois mostra que existe muita gente escapando da miséria. Para quem olha de baixo e sente na pele cada gota de suor derramado, é outra coisa. "Somos um país onde muitos sobem pouco e poucos sobem muito", sintetiza o professor José Pastore, que coordenou a pesquisa de 1973 e voltou a campo para conferir os resultados do novo levantamento. (Filho de contador, Pastore formou-se em sociologia pela USP e fez pós-graduação nos Estados Unidos, depois de começar a trabalhar aos 13 anos. As chances de uma história como a sua se repetir são de uma contra vinte.)
"Não se pode ficar ufanista", diz Nelson do Valle Silva, do Laboratório de Análise Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, o outro coordenador do estudo. "Apuramos um país com grande mobilidade, mas também um país muito desigual." (Filho de médico, Nelson nasceu no topo e ali permaneceu. De cada dez pais do topo, três conseguem manter seus filhos ali.) Os países europeus têm mobilidade muito baixa, mas sua desigualdade é pequena. As pessoas não sobem tanto – entretanto, a cesta básica está resolvida. Austrália e Estados Unidos têm uma mobilidade social imensa. Também são países mais desiguais – mas a diferença nem de longe chega perto do abismo social brasileiro. Sete em cada dez brasileiros circulam entre os três andares inferiores da pirâmide sem conseguir saltar para os andares de cima – e é só a partir dali que está o conforto. Na luta desigual pelas oportunidades, as faixas de baixo freqüentam escolas péssimas, as crianças continuam trabalhando antes dos 14 anos – cada ano de trabalho precoce diminui em 10% as chances de progredir. Distâncias tão grandes tornam ainda mais admirável a ascensão de cada brasileiro, por mais modesta que ela possa parecer aos olhos de quem está de fora.
é um país de grande mobilidade
social mas avisa: muitos sobem
pouco e poucos sobem muito
Os brasileiros entrevistados nesta reportagem não saíram dos livros de auto-ajuda. São gente de carne e osso, homens de barba, barriga saliente, roupa amassada e sapato com marcas de terra. São uma amostra dos 10,5 milhões de chefes de família que chamaram a mulher e os filhos para carregar a trouxa e subir na vida. Após duas décadas de esforço e suor na testa, ajudaram a criar um país melhor. O Brasil já foi o país da miséria rural, de uma vida tão ruim que a distância nem era medida pelo nível de renda, mas pelo patamar diferente de civilização que se observava em um bairro de cidade e em uma colônia de empregados na fazenda do coronel. Ali, longe da cidade, vivia a fatia mais numerosa da população. Esse Brasil mudou. Hoje os pobres do campo são uma fatia que não pára de encolher, dia após dia. A fatia mais larga está no meio, abrigando um povo típico das cidades, com seus pequenos profissionais, motoristas, operários, funcionários de escritório – a chamada classe média baixa. Essa gente encara um cotidiano de dificuldades imensas, mas já venceu o sufoco sombrio e pesado dos andares inferiores.
Conclusão: a população brasileira está em um processo febril de mobilidade. Boa notícia: essa mobilidade ocorre para cima na maior parte dos casos. Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, PNAD, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, informa que nada menos de 63% da população mudou de lugar em duas décadas. Num trabalho que compara o país de hoje com o de 1973, os entrevistadores do IBGE saíram a campo, em 1996, para fazer as mesmas perguntas ao mesmo tipo de gente ouvida duas décadas atrás – 42.000 chefes de família, todos homens, empregados, com idade entre 20 e 64 anos. Após três anos desagregando dados, comparando resultados e fazendo projeções, só agora foi possível chegar a números exatos e conclusões claras. Nos dados gerais, o levantamento confirma que no Brasil a mobilidade social é altíssima, comparável à de poucos países, como Austrália e Estados Unidos.
Retirantes: o progresso numa travessia com dor
e sofrimento
Para cada quatro brasileiros que subiram na vida, apenas um caiu, informa o levantamento. Em números exatos, a relação é de 49% para 13%. A pesquisa também chegou a detalhes precisos. Apurou que a maioria só começa a progredir depois dos 30 anos – antes disso está entrando na profissão, ganha mal e tem pouca chance de subir. Em uma revelação surpreendente, o IBGE afirma que a melhor idade para uma arrancada é perto dos 60 anos, entre 55 e 59 – momento da carreira em que o gerente é promovido a diretor e o executivo abre seu negócio.
Desconfie daqueles que reclamam que o Brasil tem novo-rico demais. O que o Brasil tem, em linguagem menos preconceituosa, é rico novo. Há vinte anos, a elite abrigava 3,5% dos chefes de família. Engordou mais de um terço e agora representa 4,9%. Seu clube continua pequeno, mas não é fechado. Atenção: apenas um quinto dos habitantes do topo do edifício social brasileiro já nasceu nesse lugar. Os outros trazem o sangue novo dos andares de baixo. O espetacular é que 20% desses rompedores são filhos de pais que subsistiam na miséria rural. Isso mesmo: gente que vivia com enxada na mão, em palhoça, sem água encanada nem luz elétrica. Na categoria "elite", a pesquisa não coloca apenas os empresários de projeção ou mesmo os homens de muito dinheiro. Incluem-se na classificação os professores universitários, os altos funcionários, os donos de negócios como restaurante e imobiliária. São pessoas que estão no topo, embora não se possa comparar sua condição com a de Antonio Ermírio de Moraes ou a de Olavo Setubal. Esse clube cresce pela educação. Uma pesquisa entre estudantes de ciências sociais mostra que 30% deles são filhos de trabalhadores sem qualificação. Os pais de 11% não sabem ler nem escrever. Um levantamento entre os juízes mostra situação idêntica. Em 1960, apenas 2,5% dos estudantes da Universidade de São Paulo vinham do andar de baixo.
Em um artifício para abrir as entranhas do país numa prancheta de microscópio, a pesquisa dividiu a população em seis faixas. Cada chefe de família encontra seu lugar, ali, a partir de uma equação matemática que combina fatores como a ocupação da pessoa, sua renda no trabalho, os anos de estudo – em comparação com o pai. Com esse método, mede-se o chamado status sócio-econômico das pessoas, apontando seu degrau na escada social. Por razões metodológicas, o levantamento só entrevistou homens responsáveis pelo sustento da casa, deixando de lado as mulheres, que em número cada vez maior garantem a geladeira e a escola dos filhos (veja reportagem).
Ao contrário dos levantamentos sobre inflação, desemprego e popularidade, as pesquisas sobre mobilidade desenham realidades de longo prazo e contam histórias de sucesso que enchem de orgulho seus protagonistas. Filho de uma faxineira, Florestan Fernandes não conheceu o pai, alfabetizou-se com dificuldade, mas tornou-se professor da sociedade paulistana na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Colosso milionário, Olacyr de Moraes morou em casas apertadas de bairros populares e começou a trabalhar numa pequena empresa de caminhões do pai. Intelectuais que imaginaram o Brasil como o país de uma oligarquia imutável passaram décadas tentando provar que os pobres estavam predestinados à pobreza e os ricos tinham lugar assegurado na riqueza. Essa visão nada mais era do que um preconceito.
Ninguém precisa cultivar a ilusão de que é fácil subir. A travessia social não é um passeio recompensado pelo descanso na terra prometida, mas uma caminhada de sacrifício e dor. Tangida pela carência, pela doença, a maioria das pessoas acaba expulsa de onde residia até chegar a um lugar melhor para viver – às vezes, um barraco numa favela, um quarto numa pensão. Os brasileiros de origem pobre que conseguem ascender ao clube dos ricos chamam a atenção pela proeza que realizam. Mas não é fácil chegar lá, obviamente. A chance de um filho de pai muito pobre subir até o topo é de 1,8, contra 98,2. Parece nada, mas já é muita coisa quando se compara a mobilidade social no Brasil com a de outros países. Na maior parte dos casos, ascensão significa chegar a um objetivo mais modesto que a obtenção do sucesso absoluto e definitivo. Conseguir viver com luz elétrica, água encanada e escola para os filhos nas imediações de casa são elementos que traduzem ascensão social para milhões de brasileiros.
Foto: Egberto Nogueira
Balcão de emprego: ascensão social é luz elétrica
e água encanada
Na pesquisa, o IBGE colheu dados objetivos, mas também queria conhecer a opinião de cada entrevistado. Perguntou-se se ele considerava que as chances para subir, hoje em dia, estavam iguais, melhores ou piores que no passado. O resultado é curioso. Embora 49% tenham progredido na vida, apenas 37% disseram que as chances de subir cresceram. Os demais responderam que tudo ficou igual – ou até piorou. Ocorre com a mobilidade social um desses casos de copo com água até a metade – pode estar meio cheio ou meio vazio. Para quem olha de cima, o balanço é positivo, pois mostra que existe muita gente escapando da miséria. Para quem olha de baixo e sente na pele cada gota de suor derramado, é outra coisa. "Somos um país onde muitos sobem pouco e poucos sobem muito", sintetiza o professor José Pastore, que coordenou a pesquisa de 1973 e voltou a campo para conferir os resultados do novo levantamento. (Filho de contador, Pastore formou-se em sociologia pela USP e fez pós-graduação nos Estados Unidos, depois de começar a trabalhar aos 13 anos. As chances de uma história como a sua se repetir são de uma contra vinte.)
"Não se pode ficar ufanista", diz Nelson do Valle Silva, do Laboratório de Análise Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, o outro coordenador do estudo. "Apuramos um país com grande mobilidade, mas também um país muito desigual." (Filho de médico, Nelson nasceu no topo e ali permaneceu. De cada dez pais do topo, três conseguem manter seus filhos ali.) Os países europeus têm mobilidade muito baixa, mas sua desigualdade é pequena. As pessoas não sobem tanto – entretanto, a cesta básica está resolvida. Austrália e Estados Unidos têm uma mobilidade social imensa. Também são países mais desiguais – mas a diferença nem de longe chega perto do abismo social brasileiro. Sete em cada dez brasileiros circulam entre os três andares inferiores da pirâmide sem conseguir saltar para os andares de cima – e é só a partir dali que está o conforto. Na luta desigual pelas oportunidades, as faixas de baixo freqüentam escolas péssimas, as crianças continuam trabalhando antes dos 14 anos – cada ano de trabalho precoce diminui em 10% as chances de progredir. Distâncias tão grandes tornam ainda mais admirável a ascensão de cada brasileiro, por mais modesta que ela possa parecer aos olhos de quem está de fora.
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sexta-feira, 18 de março de 2011
TRABALHO ESCRAVO E INFANTIL

Trabalho infantil gera lucro pra quem explora, pobreza pra quem é explorado, faz parte da cultura econômica brasileira e está diretamente ligado ao trabalho escravo. A quem incomoda a luta contra o trabalho infantil? Incomoda aos que se incomodam com a luta contra o trabalho escravo. Incomoda aos que se incomodam com a luta contra o trabalho degradante. O combate ao trabalho infantil incomoda a quem lucra com o trabalho infantil, a quem lucra com o trabalho escravo e a quem lucra com o trabalho degradante.
A quem incomoda a dignidade humana; a quem incomoda a beleza, a resistência, a sensualidade, a honestidade, a capacidade de organização do pobre; a quem incomoda a imagem bonita dos menos favorecidos? A quem incomoda a denúncia das injustiças da pobreza? Incomoda aos ricos e incomoda a uma parcela da classe média. Pra existir um rico quantos pobres tem que existir? Me perguntou um dia um carvoeiro, cansado de trabalhar, desde criança.
Ataliba dos Santos estava cansado de não assinar a carteira, não estudar, cansado de nãos... E cansado de não ter respostas. Enquanto fotografava pensava a quem interessa o desequilíbrio social? No Brasil, o trabalho infantil não é conseqüência da pobreza, mas sim instrumento financiador dela. Empregar crianças significa lucro fácil. A exploração infantil gera o desemprego dos pais, trabalho escravo, crianças doentes, subnutridas, morando em precárias condições, prejudicadas na sua capacidade intelectual e no seu direito à educação, lesadas no seu direito ao lazer, ao carinho, à alegria; sem infância.
“A gente custa muito pra entender que nasceu pra ser peixe de engordar gato que engorda rico e, em casa, a gente fabrica com todo amor os próximos peixinhos. Pra fugir disso, botei todo mundo pra estudar, mas sinto um aperto no peito porque sei que o ensino é muito ruim. Filho de pobre, mesmo depois de estudar um, dois, quatro anos, continua analfabeto. “As palavras de José dos Santos, carvoeiro na região do serrado, em minas Gerais expressão a luta para mudar uma realidade.
José dos Santos está tentando romper uma corrente perversa que alimenta uma cadeia de trabalho degradante nas carvoarias brasileiras, assim como nos sisais, nas fazendas, nos canaviais, nas pe
dreiras e em vários setores do segmento rural que alimentam indústrias urbanas. O trabalhador que vive em trabalho degradante ou análogo a escravo, é, na sua imensa maioria, analfabeto, e foi explorado como trabalhador infantil. Aconteceu assim com seus pais e seus avós. O caminho normal é acontecer com os filhos e netos.Infelizmente, ainda não existe no Brasil uma política social que faça a associação entre trabalho infantil e trabalho degradante, análogo a escravo ou escravo, de forma a romper esse círculo. A realidade é que o trabalhador escravo de hoje foi o trabalhador infantil de ontem. A realidade do trabalho nas carvoarias brasileiras merece uma análise diferenciada. Muitas vezes o trabalho não é considerado trabalho escravo, outras vezes sim.
Porém, sempre é um trabalho extremamente pesado e quase sempre, mesmo em casos de carteira assinada, um trabalho degradante. Acaba com a saúde do trabalhador. Muitas vezes, olhar uma carvoaria em pleno vapor é, do ponto de vista humanitário, algo inaceitável.
ACâmara dos Deputados está prestes a votar uma das mais importantes Emendas Constitucionais deste ano. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 438, que confisca a propriedade rural em que for encontrado trabalho escravo, será fundamental para contribuir com a erradicação desta prática no país. Milhares de brasileiros são obrigados a trabalhar em condições desumanas, roubados de sua dignidade e de sua liberdade, enquanto alguns poucos empresários lucram com a exploração dessa mão-de-obra. Com isso, cometem um crime contra os direitos humanos e, ao mesmo tempo, mancham a imagem do Brasil no exterior. A Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE) enumerou as mentiras mais contadas por aqueles que não querem ver o problema resolvido e contou a verdade por trás delas.
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MENTIRAS SOBRE O TRABALHO ESCRAVO

Mentiras:
1.Não existe trabalho escravo no Brasil.
2.A escravidão foi extinta em 13 de maio de 1888.
3.Se o problema existe, é pequeno. Além disso, apenas uma meia dúzia de fazendeiros utiliza trabalho escravo.
4.A lei não explica detalhadamente o que é trabalho escravo. Com isso, o empresário não sabe o que é proibido fazer.
5.A culpa não é do fazendeiro e sim de “gatos”, gerentes e prepostos. O empresário não sabe dos fatos que ocorrem dentro de sua fazenda e por isso não pode ser responsabilizado.
6.O trabalho escravo urbano é do mesmo tamanho que o trabalho rural.
7.Já existem muitas punições para quem pratica trabalho escravo. É só fazer cumprir a lei que a questão está resolvida. Não é necessária a aprovação de uma lei de confisco de terras.
8.A Justiça já tem muitos instrumentos para combater o trabalho escravo, não é necessário criar mais um.
9.Esse tipo de relação de trabalho já faz parte da cultura da região.
10.Não é possível aplicar a legislação trabalhista na região de fronteira agrícola amazônica. Isso geraria desemprego.
11.A fiscalização abusa do poder e é guiada por um viés ideológico. A Polícia Federal entra armada nas fazendas.
12.A divulgação internacional prejudica o comércio exterior e vai trazer prejuízo ao país.
13.A imprensa prejudica a imagem de estados como Pará, Mato Grosso,Tocantins, Maranhão, Rio de Janeiro e Bahia, entre outros, ao mostrar que há propriedades com trabalho escravo.
14.O Estado está ausente da região de fronteira agrícola e só aparece para punir quem está desenvolvendo o país.
Comentário sobre algumas:
1) Mentira: Não existe trabalho escravo no Brasil.
Verdade: Infelizmente, existe. A assinatura da Lei Áurea, em 1888, representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, colocando fim à possibilidade de possuir legalmente um escravo. No entanto, persistem situações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se desligar de seus patrões. Há fazendeiros que, para realizar derrubadas de matas nativas para formação de pastos, produzir carvão para a indústria siderúrgica, preparar o solo para plantio de sementes, entre outras atividades agropecuárias, contratam mão-de-obra utilizando os famigerados “gatos”.
Eles aliciam os trabalhadores, servindo de fachada para que os fazendeiros não sejam responsabilizados pelo crime. Esses “gatos” recrutam trabalhadores em regiões distantes do local da prestação de serviços ou em pensões localizadas nas cidades próximas. Na primeira abordagem, eles se mostram pessoas extremamente agradáveis, portadores de excelentes oportunidades de trabalho. Oferecem serviço em fazendas, com salário alto e garantido, boas condições de alojamento e comida farta.
Para seduzir o trabalhador, oferecem “adiantamentos” para a família e garantia de transporte gratuito até o local de trabalho. O transporte é realizado por ônibus em péssimas condições de conservação ou por caminhões improvisados sem qualquer segurança. Ao chegarem ao local de trabalho, eles são surpreendidos com situações completamente diferentes das prometidas. Para começar, o “gato” lhes informa que já estão devendo.
O adiantamento, o transporte e as despesas com alimentação na viagem já foram anotados no caderno de dívida do trabalhador que ficará de posse do “gato”. Além disso, o trabalhador percebe que o custo de todos os instrumentos que precisar para o trabalho – foices, facões, motosserras, entre outros – também serão anotados no caderno de dívidas, bem como botas, luvas, chapéus e roupas.
Finalmente, despesas com os emporcalhados e improvisados alojamentos e com a precária alimentação serão anotados, tudo a preço muito acima dos praticados no comércio.
4) Mentira:
A lei não explica detalhadamente o que é trabalho escravo. Com isso, o empresário não sabe o que é proibido fazer.
Verdade: O artigo n.º 149 do Código Penal (que trata do crime do trabalho escravo) existe desde o início do século passado. A legislação trabalhista aplicada no meio rural é da década de 70 (lei n.º 5.889). Portanto, tanto a existência do crime como a obrigação de garantir os direitos trabalhistas não são coisas novas. Os proprietários rurais que costumeiramente exploram o trabalho escravo, na maioria das vezes, são pessoas instruídas que vivem nos grandes centros urbanos do país, possuindo excelente assessoria contábil e jurídica para suas fazendas e empresas.
Além disso, uma série de acordos e convenções internacionais tratam da escravidão contemporânea. Por exemplo, as convenções internacionais de 1926 e a de 1956, que proíbem a servidão por dívida, entraram em vigor no Brasil em 1966. Essas convenções estão incorporadas à legislação nacional. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) trata do tema nas convenções número 29, de 1930, e 105, de 1957. Há também a Declaração de Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho e seu Seguimento, de 1998.
De acordo com o Relatório Global da OIT de 2001, as diversas modalidades de trabalho forçado no mundo têm sempre em comum duas características: o uso da coação e a negação da liberdade. No Brasil, o trabalho escravo resulta da soma do trabalho degradante com a privação de liberdade. O trabalhador fica preso a uma dívida, tem seus documentos retidos, é levado a um local isolado geograficamente que impede o seu retorno para casa ou não pode sair de lá, impedido por seguranças armados. A Organização utiliza, no Brasil, o termo “trabalho escravo” em seus documentos.
5) Mentira: A culpa não é do fazendeiro e sim de “gatos”, gerentes e prepostos. O empresário não sabe dos fatos que ocorrem dentro de sua fazenda e, por isso, não pode ser responsabilizado.
Verdade: O empresário é o responsável legal por todas as relações trabalhistas de seu negócio. A Constituição Federal de 1988 condiciona a posse da propriedade rural ao cumprimento de sua função social, sendo de obrigação de seu proprietário tudo o que ocorrer nos domínios da fazenda. Por isso, o fazendeiro tem o dever de acompanhar com freqüência a ação dos funcionários que administram sua fazenda para verificar se eles estão descumprindo alguma norma da legislação trabalhista, além de orientá-los no sentido de contratar trabalhadores de acordo com as normas estabelecidas pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
6) Mentira: A Justiça já tem muitos instrumentos para combater o trabalho escravo; não é necessário criar mais um.
Verdade: Erra quem pensa que trabalho escravo é um problema apenas trabalhista. Trabalho escravo é um crime de violação de direitos humanos. Normalmente, quem se utiliza dessa prática também é flagrado por outros crimes e contravenções. Dessa forma, o trabalho escravo torna-se um tema transversal, que está ligado a diversas áreas e por todas deve ser combatido. A própria Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) é intersetorial, envolvendo diversas instituições estatais e da sociedade civil.
Trabalho escravo também é um problema de desrespeito aos direitos humanos (tortura, maus tratos), criminal (cerceamento de liberdade, espancamentos, assassinatos) e previdenciário. Todos sabem que a PEC, quando aprovada, não vai resolver sozinha o problema do trabalho escravo. Para isso, é necessário também gerar empregos, conceder crédito agrícola, melhorar as condições de vida dos trabalhadores, atuando de forma preventiva nos locais de aliciamento para que eles não precisem migrar em busca de um emprego em local distante e desconhecido. Mas a nova lei vai se somar aos instrumentos já existentes para erradicar o problema.
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Textos (aulas de Sociologia)
segunda-feira, 8 de março de 2010
Vamos refletir???
Jabor - Gostem ou não, o texto é imperdível!
-Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.
Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida;
Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;
Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade. ...
Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária.
É coisa de gente otária.
- Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.
Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.
Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai.
Brasileiro tem um sério problema.
Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.
- Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.
Brasileiro é vagabundo por excelência.
O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo..
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo..
Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.
- Brasileiro é um povo honesto. Mentira.
Já foi; hoje é uma qualidade em baixa.
Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso.
Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.
- 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira.
Já foi.
Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da
Guerra do Paraguai ali se instalaram.
Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime.
Hoje a realidade é diferente.
Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal.
Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas.
Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.
- O Brasil é um pais democrático. Mentira.
Num país democrático a vontade da maioria é Lei.
A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.
Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia.
Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita.
Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores).
Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.
Democracia isso? Pense !
O famoso jeitinho brasileiro.
Na minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira.
Brasileiro se acha malandro, muito esperto.
Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.
No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí?
Afinal somos penta campeões do mundo né?? ?
Grande coisa...
O Brasil é o país do futuro. Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos.
Dessa vergonha eles se safaram...
Brasil, o país do futuro !?
Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.
Deus é brasileiro.
Puxa, essa eu não vou nem comentar...
O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.
Para finalizar tiro minha conclusão:
O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente.
Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta.
Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.
Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!
Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?
Arnaldo Jabor
-Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.
Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida;
Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;
Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade. ...
Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária.
É coisa de gente otária.
- Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.
Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.
Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai.
Brasileiro tem um sério problema.
Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.
- Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.
Brasileiro é vagabundo por excelência.
O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo..
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo..
Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.
- Brasileiro é um povo honesto. Mentira.
Já foi; hoje é uma qualidade em baixa.
Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso.
Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.
- 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira.
Já foi.
Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da
Guerra do Paraguai ali se instalaram.
Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime.
Hoje a realidade é diferente.
Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal.
Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas.
Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.
- O Brasil é um pais democrático. Mentira.
Num país democrático a vontade da maioria é Lei.
A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.
Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia.
Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita.
Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores).
Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.
Democracia isso? Pense !
O famoso jeitinho brasileiro.
Na minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira.
Brasileiro se acha malandro, muito esperto.
Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.
No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí?
Afinal somos penta campeões do mundo né?? ?
Grande coisa...
O Brasil é o país do futuro. Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos.
Dessa vergonha eles se safaram...
Brasil, o país do futuro !?
Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.
Deus é brasileiro.
Puxa, essa eu não vou nem comentar...
O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.
Para finalizar tiro minha conclusão:
O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente.
Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta.
Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.
Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!
Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?
Arnaldo Jabor
Pensadores Iluministas
Filósofos Iluministas
No Iluminismo, os principais filósofos foram: Locke, Montesquieu, Voltaire e Rousseau. As idéias desses filósofos foram o lema que dirige a sociedade burguesa: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". É com estes filósofos que se forma toda a estrutura social que vivemos hoje = a sociedade burguesa. Houve também os economistas que vão gerar o sistema capitalista liberal que vivemos hoje = o neoliberalismo.
John Locke: Locke foi um filósofo que atacou a concepção absolutista de Thomas Hobbes = o mundo vivia num caos, mas o homem criou o governo e formou-se a sociedade civil, essa sociedade foi feita em um acordo entre o governante e o governado e esse acordo jamais poderia ser rompido e essa impossibilidade de romper o contrato caracterizava o absolutismo. Locke concorda com a sociedade civil (o contrato), porém o contrato não só pode como deve ser rompido se o governante mostrar ser um mau governante = acaba o absolutismo. Se o rei é ruim, tira-o e põe outro. Isso existe até os dias de hoje.
O primeiro país que trouxe na sua constituição o princípio de Locke foram os Estados Unidos.
Locke também disse que os direitos individuais são dons, são nossos, ninguém pode mexer, as nossas habilidades e aquilo que conseguimos através delas também é nosso. Fala-se do individualismo das pessoas na sociedade e sobre a propriedade privada que pertence a uma determinada pessoa.
A teoria de Locke serve corretamente para a burguesia: direitos individuais assegurados, propriedade privada inviolável e a possibilidade de tirar os governantes se não estiverem atendendo a seus interesses.
Resumo: ataca Hobbes. Diz que podemos retirar o governante do poder se ele não estiver sendo bom; diz que a propriedade é um bem inviolável e defende o individualismo que cada pessoa tem.
Montesquieu: Montesquieu também vai combater o absolutismo, principalmente as idéias de Maquiavel = o rei pode fazer o que quiser, porque está acima das nossas regras morais e éticas. Montesquieu falava que isso está errado, porque quando uma pessoa detém todos os poderes na sua mão, essa pessoa faz mau uso do poder. Então ele diz que só se combate o poder com o poder, para isso deve-se fracionar o poder que é uno em três, então Montesquieu cria a tripartição dos poderes: 1-)Legislativo 2-)Executivo 3-)Judiciário.
Resumo: combate Maquiavel. dizia que o rei não podia ter poderes totais, porque ele faria mau uso do poder. Então, "somente o poder detém o poder" = cria-se a tripartição do poder em: executivo, legislativo e judiciário.
Voltaire: é o mais irreverente. Expõe sua filosofia em romances (mais fácil de ler). Ele diz que o Estado (monarquia) deve ser dirigido por um rei filósofo, ou então, um rei que tenha ministros filósofos, então ele defende a razão e os princípios iluministas para dirigir o Estado.
Resumo: ele defende a razão e os princípios iluministas par dirigir o Estado. O rei deve ser filósofo ou ter ministros filósofos.
Jean-Jaques Rousseau: Rousseau é o mais radical de todos, ao invés de ver os problemas da burguesia, ele vê os problemas do povo. Ele vai analisar as causas da pobreza e vai chegar à conclusão de que os problemas da sociedade na qual vivia eram causados pela propriedade privada (depois que ela veio, veio junto a pobreza) = isso vai contra os desejos da burguesia que defendia a propriedade privada, então Rousseau será um filósofo pobre (quem patrocinava os filósofos era a burguesia e como ele era contra os interesses desta, não receberá dinheiro).
Rousseau é um filósofo romântico, porque propõe a volta antes dos maus acontecerem. Por isso ele cria o mito do Bom Selvagem = o índio que vivia feliz e contente sem a propriedade privada. Esse mito pode ser comparado a uma criança que é pura, mas depois ela se torna ambiciosa (por causa da sociedade competitiva e da propriedade privada) e começam os problemas da sociedade.
Ele propõe a democracia = o governo do povo. É o único que fala em República (coisa do povo). "Devemos obedecer a voz da maioria". Ele é tão radical que vão considerá-lo o 1.º socialista, mas não foi. Socialismo só no séc. XIX (ainda está no XVIII).
Resumo: fala em igualdade social, democracia (o poder emanando da maioria), faz crítica à sociedade e à propriedade privada através do mito do Bom Selvagem.
Diderot e D'Alembert: eles vão juntar todo o saber burguês existente naquela época (fazem um convite a vários filósofos iluministas) em um Enciclopédia. Demoram 30 anos para fazê-la. Estando em livros, as pessoas que não podiam ver os filósofos, poderiam saber sobre suas idéias. Com isso, as idéias se espalharam com maior facilidade, ajudando a derrubar o Antigo Regime.
Resumo: vão juntar todo o saber burguês em uma Enciclopédia e fazendo assim, mais pessoas poderiam saber sobre as idéias dos filósofos e assim espalham os ideais para derrubar o Antigo Regime.
A sociedade (burguesa) na qual vivemos hoje é fruto das idéias feitas pelos filósofos do iluminismo que fazem uma série de idéias compostas na frase: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade".
No Iluminismo, os principais filósofos foram: Locke, Montesquieu, Voltaire e Rousseau. As idéias desses filósofos foram o lema que dirige a sociedade burguesa: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". É com estes filósofos que se forma toda a estrutura social que vivemos hoje = a sociedade burguesa. Houve também os economistas que vão gerar o sistema capitalista liberal que vivemos hoje = o neoliberalismo.
John Locke: Locke foi um filósofo que atacou a concepção absolutista de Thomas Hobbes = o mundo vivia num caos, mas o homem criou o governo e formou-se a sociedade civil, essa sociedade foi feita em um acordo entre o governante e o governado e esse acordo jamais poderia ser rompido e essa impossibilidade de romper o contrato caracterizava o absolutismo. Locke concorda com a sociedade civil (o contrato), porém o contrato não só pode como deve ser rompido se o governante mostrar ser um mau governante = acaba o absolutismo. Se o rei é ruim, tira-o e põe outro. Isso existe até os dias de hoje.
O primeiro país que trouxe na sua constituição o princípio de Locke foram os Estados Unidos.
Locke também disse que os direitos individuais são dons, são nossos, ninguém pode mexer, as nossas habilidades e aquilo que conseguimos através delas também é nosso. Fala-se do individualismo das pessoas na sociedade e sobre a propriedade privada que pertence a uma determinada pessoa.
A teoria de Locke serve corretamente para a burguesia: direitos individuais assegurados, propriedade privada inviolável e a possibilidade de tirar os governantes se não estiverem atendendo a seus interesses.
Resumo: ataca Hobbes. Diz que podemos retirar o governante do poder se ele não estiver sendo bom; diz que a propriedade é um bem inviolável e defende o individualismo que cada pessoa tem.
Montesquieu: Montesquieu também vai combater o absolutismo, principalmente as idéias de Maquiavel = o rei pode fazer o que quiser, porque está acima das nossas regras morais e éticas. Montesquieu falava que isso está errado, porque quando uma pessoa detém todos os poderes na sua mão, essa pessoa faz mau uso do poder. Então ele diz que só se combate o poder com o poder, para isso deve-se fracionar o poder que é uno em três, então Montesquieu cria a tripartição dos poderes: 1-)Legislativo 2-)Executivo 3-)Judiciário.
Resumo: combate Maquiavel. dizia que o rei não podia ter poderes totais, porque ele faria mau uso do poder. Então, "somente o poder detém o poder" = cria-se a tripartição do poder em: executivo, legislativo e judiciário.
Voltaire: é o mais irreverente. Expõe sua filosofia em romances (mais fácil de ler). Ele diz que o Estado (monarquia) deve ser dirigido por um rei filósofo, ou então, um rei que tenha ministros filósofos, então ele defende a razão e os princípios iluministas para dirigir o Estado.
Resumo: ele defende a razão e os princípios iluministas par dirigir o Estado. O rei deve ser filósofo ou ter ministros filósofos.
Jean-Jaques Rousseau: Rousseau é o mais radical de todos, ao invés de ver os problemas da burguesia, ele vê os problemas do povo. Ele vai analisar as causas da pobreza e vai chegar à conclusão de que os problemas da sociedade na qual vivia eram causados pela propriedade privada (depois que ela veio, veio junto a pobreza) = isso vai contra os desejos da burguesia que defendia a propriedade privada, então Rousseau será um filósofo pobre (quem patrocinava os filósofos era a burguesia e como ele era contra os interesses desta, não receberá dinheiro).
Rousseau é um filósofo romântico, porque propõe a volta antes dos maus acontecerem. Por isso ele cria o mito do Bom Selvagem = o índio que vivia feliz e contente sem a propriedade privada. Esse mito pode ser comparado a uma criança que é pura, mas depois ela se torna ambiciosa (por causa da sociedade competitiva e da propriedade privada) e começam os problemas da sociedade.
Ele propõe a democracia = o governo do povo. É o único que fala em República (coisa do povo). "Devemos obedecer a voz da maioria". Ele é tão radical que vão considerá-lo o 1.º socialista, mas não foi. Socialismo só no séc. XIX (ainda está no XVIII).
Resumo: fala em igualdade social, democracia (o poder emanando da maioria), faz crítica à sociedade e à propriedade privada através do mito do Bom Selvagem.
Diderot e D'Alembert: eles vão juntar todo o saber burguês existente naquela época (fazem um convite a vários filósofos iluministas) em um Enciclopédia. Demoram 30 anos para fazê-la. Estando em livros, as pessoas que não podiam ver os filósofos, poderiam saber sobre suas idéias. Com isso, as idéias se espalharam com maior facilidade, ajudando a derrubar o Antigo Regime.
Resumo: vão juntar todo o saber burguês em uma Enciclopédia e fazendo assim, mais pessoas poderiam saber sobre as idéias dos filósofos e assim espalham os ideais para derrubar o Antigo Regime.
A sociedade (burguesa) na qual vivemos hoje é fruto das idéias feitas pelos filósofos do iluminismo que fazem uma série de idéias compostas na frase: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade".
sexta-feira, 5 de março de 2010
Minhas hipóteses sobre a evolução humana
Na Terra surgiu o ser humano, um ser complexo e, por isso mesmo, inferior. Ele precisava se alimentar dos raios do sol, porque, naquela época, nem vegetais havia ainda. Era para isso que existia a apêndice (que dá apendicite), a qual foi sendo desativada assim que o ser humano foi encontrando novas vidas (descendentes dele, como, por exemplo, o macaco) que serviriam para variar sua dieta. Felizmente, naquela época não existia capitalismo ou consumismo, por isso foi possível a sobrevivência dos outros seres sem serem consumidos ou extintos antes.
Em alguns lugares da Terra, o clima era frio demais para ser suportado pelos seres humanos, os quais, então, decidiram se cobrir com peles de seus descendentes mais evoluídos. Era “quente”, bom, confortável e isso satisfez o homem. Até um dia que, sem mais o que fazer e por um instinto de pura ociosidade, digo, de competitividade, esses homo alguma coisa começaram a se disputar pela pele “mais quente” e, quando todos já tinham peles quentes, decidiram disputar quais cortes eram mais bonitos, coloridos e raros. Assim, os homens simplesmente foram se esquecendo de qual era a verdadeira necessidade das peles e começaram a praticar arte. À arte das peles, eles denominaram moda.
Isso tudo porque a necessidade de expressão humana costumava invadir todas as outras necessidades... Em tudo o homem acrescentava sua expressão, e por isso essas coisas viraram artes (algo muito mais prazeroso). Essa arte era o único trunfo dos seres humanos sobre seus descendentes, porém era usada pra suprimir tédio e insatisfação, coisas que os outros seres vivos não tinham.
Tão preocupados com sua arte – ou seja, a expressão de seu ego –, os humanos começavam sua devastação da Terra. Descobriram a escrita, descobriram as árvores e daí o papel, descobriram os livros. Descobriram a televisão, o consumo e a alienação e foram esquecendo os livros.
A alimentação
Os seres humanos começaram a variar seu cardápio e, logo que descobriram o fogo, puderam fazer comidas cada vez mais apetitosas e novamente o instinto insatisfeito dos humanos vigorou e os fez começar uma nova disputa: quem comia mais, qual comida era mais gostosa etc., e nisso os outros seres superiores iam ficando em desvantagem na pirâmide alimentar.
Alguns seres humanos, cansados de se sujarem tanto e terem tanta dificuldade em comer a carne dos outros animais, inventaram os talheres. A cultura dos talheres e da facilidade do seu uso foi se disseminando por quase todo o Ocidente e assim as comunidades passaram a comer dentro de seus pratos e a cortar com faca.
Logo, como não podia deixar de ser, o instinto ocioso voltou a aparecer e algumas pessoas acharam que comer era muito selvagem e instintivo então (agindo por um outro instinto já citado), decidiram criar as regras de etiqueta, as quais não se resumiam apenas à alimentação. Mais uma vez os seres humanos foram se deixando levar por hábitos e nunca pensaram se havia mesmo necessidade de “troca de talheres”, pensaram na disposição dos mesmos pela mesa e se era permitido ou não assoprar a sopa para que esta esfriasse mais rápido. Eles o faziam por educação.
Educação?
Não se sabe ao certo quando ou porque a educação foi inventada, mas certamente foi uma das poucas coisas realmente necessárias criadas para a sobrevivência do homem. Afinal, como o homem era um ser mais falante do que pensante e, apesar de inferior, dominante, era preciso reverter um pouco os costumes humanos e fazê-los pensar um pouco antes de falar. Ainda levados pelo instinto ocioso, o qual determinou, como podem ver, tudo na história humana, os homens começaram a observar as coisas e a se perguntar o porquê delas. Ao encontrar respostas, decidiram divulgá-las a partir da educação.
E educação era essa arte do saber, até que então os seres humanos mais uma vez foram esquecendo a verdadeira necessidade das coisas e reverteram o sentido da educação de “a arte do saber” para “a arte de parecer (saber)”. E isso é o que se entende por etiqueta. E isso é o que se entende por educação nos dias do hoje.
Locomoção
No início os homens andavam ou corriam. Isso bastava para suas necessidades, afinal, não era preciso se locomover muito além de sua aldeia. Mas logo a comunidade foi crescendo, o homem foi se socializando, sua necessidade de expressão inventou a fala que inventou ouvintes e a necessidade cada vez maior de mais ouvintes foi gerando invenções como fofocas, cartas, telégrafos, telefones, e-mails, salas de bate-papo, ICQ, MSN... enfim, esse foi o processo do meio de locomoção das palavras e da conversa, cada vez mais evoluído (não em termos de conteúdo, afinal os homens, como já foi visto, têm o prazer de tornar as coisas desnecessárias), fácil e rápido. O mesmo aconteceu com a locomoção propriamente dita.
Os homens começaram a usar animais para carregá-los – ou escravos, o que dava no mesmo –, inventaram novas tecnologias e formas de transformação de energia, podiam caminhar sobre as águas, a terra e mesmo sobre o ar. Não havia mais obstáculos (a não ser os icebergs, os urubus nas turbinas, as lombadas, os semáforos, os guardas, os pedestres...). Inventaram transportes coletivos para diminuir desconfortos para o meio-ambiente e para o trânsito, mas os homens, como bons estúpidos e egocêntricos, preferiram ter carros só seus.
E assim, mais uma vez, a “desnecessidade” foi invadindo as artes das necessidades (como no caso da alimentação e da educação), e as pessoas começaram a se interessar pelo carro mais veloz, bonito, econômico, espaçoso... Algumas coisas até necessárias, mas resultantes de coisas desnecessárias como, por exemplo, o dinheiro. O mesmo aconteceu com o meio de locomoção das palavras e o IRC foi substituído pelo ICQ, o qual, por sua vez, foi substituído pelo MSN com webcam ("Agora você pode usar uma webcam ao vivo para mostrar aos amigos quem você realmente é!" – ou seja, nos dias de hoje (ou nos de sempre?), o ser humano realmente é aquilo que sua aparência mostra).
A beleza da arte ou a arte da beleza?
Os homens, seres insatisfeitos, descobriram na arte o melhor meio de curar todo tédio que sentiam. Surgiu então “a arte pela arte”, ou seja, algo que já nascia dentro da própria desnecessidade, e não de coisas necessárias como roupa, locomoção, alimento etc. Os homens começaram a fazer blogs primitivos que não passavam de pinturas em suas cavernas as quais contavam sobre seu dia, a caça e seu modo de viver ou mesmo colocavam figuras bonitinhas que não piscavam nem se mexiam – nem eram cor-de-rosa.
Com a evolução, apareceram os diarinhos virtuais, as Patys com seus gifs piscantes, com figuras abomináveis e distorcidas (tanto quanto era na época das cavernas) – mas se mexiam e eram cor-de-rosa! E também apareceu a pura encheção de lingüiça que fala sobre “o nada”, conhecido como filosofia, política, cultura ou humor. Mas, antes disso, surgiram os livros que derrubaram muitas árvores, o teatro, os quadros, as esculturas, a fotografia, o cinema, a televisão... Tudo para curar o eterno tédio do homem.
Mas de tanto que as belas artes foram retratando “belezas”, houve uma inversão em seu sentido original: ao invés de expressar a beleza em si própria, a arte mostrava a beleza alheia. Afinal, as coisas bonitas sempre atraíram os homens, e se a beleza viesse dos próprios homens, isso agradava bastante – e era mais lucrativo. De repente, as pessoas encontraram o artista dentro de si – pois todo o homem tem essa necessidade de expressão – e não encontraram melhor forma de exteriorizar isso do que se tornando a própria obra de arte: começaram a esculturar-se a si próprios.
Acontece que, ao invés de beleza, as pessoas começaram a procurar um padrão – nem todo mundo consegue ser criativo – nem sempre acessível a todos, o que tornou o ser humano cada vez mais esforçado em encontrar uma beleza às vezes impossível. Surgiu então a cirurgia plástica: prima rica das artes plásticas.
Verdade mesmo é que essa arte se tornou popular a partir do momento em que as outras artes começaram a ser suplantadas pela televisão. Na TV, como no teatro, era necessário mostrar pessoas e, é claro, como em toda parte, essas pessoas deveriam mostrar beleza. Como a arte da televisão foi ficando cada vez mais deficiente, as pessoas começaram a ter acesso apenas à “arte da beleza corporal”. Isso aliado ao consumismo e ao capitalismo – o que somados geram alienação – tornou as pessoas verdadeiras consumidoras de beleza corporal, esquecendo – para o bem do capitalismo, é claro – da beleza cultural à qual dificilmente tinham (têm) acesso.
Esporte
O esporte nada mais é, obviamente, do que aquele instinto de competitividade do homem posto em prática. Algo com muitos lados positivos: tira o tédio, a depressão e faz bem à saúde. Verdade é que, se saúde engordasse, ninguém hoje em dia praticaria esporte, mas os humanos teimam em dizer que a geração atual é a "geração saúde". E essa "geração saúde" está cada vez mais cheia de mulheres bonitas e saradas, atraindo parceiros cada vez mais bonitos e musculosos gerando mais filhos saudáveis, lindos e fortes... Aí está a evolução da espécie atual.
(Em breve o cérebro também não será mais necessário e o homem passará a ser como os passarinhos: com belas penas coloridas e irracional. Isso vem comprovar a teoria de que o homem é a espécie mais inferior da natureza e que a evolução só será plena quando o raciocínio for extinto.)
Um dos esportes mais cultuados no mundo atual é o lucrativo, digo, emocionante futebol. (Nada melhor para um país como o Brasil do que isso, afinal essa é uma das poucas formas de se conseguir – e bastante! – o querido, amado e mais importante que qualquer outra coisa dinheiro.)
Dinheiro
Não se sabe se foi a maior obra do capitalismo (ou se a maior obra do último foi o caos total e a desgraça), mas o dinheiro é o recurso de sobrevivência mais importante para os humanos civilizados. Sem ele, os seres humanos não têm direito à dignidade, justiça, direitos, moradia, comida, saúde, educação e nem mesmo direito de fazer xixi ou cocô no terminal rodoviário do Jabaquara. Por isso as pessoas literalmente se matam para consegui-lo. A contradição disso tudo é que justamente os que não fazem nada são os que detêm a maior parte.
Por causa do dinheiro produzido através do capitalismo e para produzi-lo, o meio-ambiente é destruído, as pessoas são destruídas (apenas a população pobre ou miserável, ou seja, a maioria), as artes são destruídas, os cérebros são destruídos... Assim é que o dinheiro possibilita uma maior evolução do homem do que o próprio esporte: nos transformará – e à toda a Terra – em átomos.
Religião
Também foi criada pelo instinto ocioso, embora os homens insistam em acreditar que não. Um dia, um dos primeiros dias da existência humana, o homem observou toda aquela arte que não era obra de si mesmo, mas sim da natureza, e seguindo um raciocínio lógico (mais tarde conhecido como sofisma) tratou de explicá-la como sendo obra de seres divinos: os deuses. Seguindo esse raciocínio, como só os homens eram capazes de criar arte, só um homem (ou vários) mais evoluído(s) poderia(m) ter criado tudo que o havia de bonito na natureza – e não ela mesma. (A falha dessa lógica é o fato de ser necessário existir também outros deuses que criassem esses deuses, o que fazia essa teoria retornar ao ponto de partida...)
Mais tarde, fruto novamente do ócio, apareceram profetas os quais reinventavam a religião, porém a mesma lógica (sofisma) era mantida – ou seja, a mudança era apenas aparente. Ainda assim, como a educação era ou inexistente ou pouco divulgada, os humanos lutavam, guerreavam, brigavam e matavam para defender seus ideais, os quais, por falta de inteligência ou fanatismo, eles não percebiam que eram os mesmos de ambos os lados.
Com a evolução humana e a educação sendo distribuída a alguns, começaram a aparecer pensadores, filósofos e cientistas com pensamentos mais sofisticados capazes de explicar – e provar – algumas das obras da natureza. Apesar de os seres humanos obterem respostas sobre o funcionamento e origem dessas obras, o costume e os dogmas da religião (aliados à ignorância e ao desequilíbrio do ser humano) não permitiram que esta última fosse extinta (ainda que logicamente ela não fosse mais necessária; além do mais, ainda restavam dúvidas e os seres humanos temiam não poder ter todas as respostas...)
E que dúvidas eram essas? Os humanos, como já sabemos, são eternos egoístas e insatisfeitos e não aceitam a morte. Mesmo vendo que tudo no universo tem seu fim – sendo vivo ou não –, o homem não soube aceitar que ele também teria o seu. Isso porque, na cabeça de todo ser humano, existe a crença de que ele é um ser especial demais para simplesmente terminar e, sendo assim, ele acha(va) que viverá(viveria) para sempre.
E não só para "solucionar" esse problema existencial, a religião foi criada. A religião, assim como o dinheiro e a moral, foi(foram) criada(criados) para pôr uma "rédea" nos próprios seres humanos, para que eles não prejudicassem mais ainda o lugar em que vivem(viviam) e às outras pessoas. Claro que não haveria mais essa necessidade, se existisse educação de verdade para todo mundo; seria até melhor porque ao invés de rédeas, a educação criaria consciência. Apesar disso, a maioria dos seres humanos são gananciosos e estúpidos demais para entender.
Outro problema que o ser humano criou, e vem se popularizando cada vez mais com o passar do tempo, é o problema psicológico. Por causa dele, os seres humanos também recorrem à religião. Sendo o homem um ser muito egocêntrico, começara a se sentir sozinho, pois não encontrava solidariedade para resolver seus problemas. O homem encontrou saída no(s) seu(s) deus(es), afinal apenas deus – sendo um homem perfeito – poderia ouvir seus problemas e quem sabe solucioná-los. Essa solução nada mais era que o resultado da fé humana – em ser curado ou em ser simplesmente ouvido. Um médico logicamente poderia também ajudar o homem, tanto um médico do corpo como um médico da mente: o psicólogo. Mas a ignorância – e a pobreza, pois sabemos que saúde só é acessível àqueles que possuam dinheiro – das pessoas mais uma vez não deixou que elas percebessem que essa cura não vinha de deus e sim delas mesmas. Isso porque essa "cura" aliada à resposta de suas dúvidas era algo muito bem-vindo aos humanos ingênuos e, como sempre, sozinhos...
QUESTAO:
- Faça a leitura do texto e a partir do que foi lido e entendido sobre o que foi a evolução humana escreva um texto com as suas próprias idéias sobre o processo evolutivo do homem, considerando os avanços e retrocessos.
Em alguns lugares da Terra, o clima era frio demais para ser suportado pelos seres humanos, os quais, então, decidiram se cobrir com peles de seus descendentes mais evoluídos. Era “quente”, bom, confortável e isso satisfez o homem. Até um dia que, sem mais o que fazer e por um instinto de pura ociosidade, digo, de competitividade, esses homo alguma coisa começaram a se disputar pela pele “mais quente” e, quando todos já tinham peles quentes, decidiram disputar quais cortes eram mais bonitos, coloridos e raros. Assim, os homens simplesmente foram se esquecendo de qual era a verdadeira necessidade das peles e começaram a praticar arte. À arte das peles, eles denominaram moda.
Isso tudo porque a necessidade de expressão humana costumava invadir todas as outras necessidades... Em tudo o homem acrescentava sua expressão, e por isso essas coisas viraram artes (algo muito mais prazeroso). Essa arte era o único trunfo dos seres humanos sobre seus descendentes, porém era usada pra suprimir tédio e insatisfação, coisas que os outros seres vivos não tinham.
Tão preocupados com sua arte – ou seja, a expressão de seu ego –, os humanos começavam sua devastação da Terra. Descobriram a escrita, descobriram as árvores e daí o papel, descobriram os livros. Descobriram a televisão, o consumo e a alienação e foram esquecendo os livros.
A alimentação
Os seres humanos começaram a variar seu cardápio e, logo que descobriram o fogo, puderam fazer comidas cada vez mais apetitosas e novamente o instinto insatisfeito dos humanos vigorou e os fez começar uma nova disputa: quem comia mais, qual comida era mais gostosa etc., e nisso os outros seres superiores iam ficando em desvantagem na pirâmide alimentar.
Alguns seres humanos, cansados de se sujarem tanto e terem tanta dificuldade em comer a carne dos outros animais, inventaram os talheres. A cultura dos talheres e da facilidade do seu uso foi se disseminando por quase todo o Ocidente e assim as comunidades passaram a comer dentro de seus pratos e a cortar com faca.
Logo, como não podia deixar de ser, o instinto ocioso voltou a aparecer e algumas pessoas acharam que comer era muito selvagem e instintivo então (agindo por um outro instinto já citado), decidiram criar as regras de etiqueta, as quais não se resumiam apenas à alimentação. Mais uma vez os seres humanos foram se deixando levar por hábitos e nunca pensaram se havia mesmo necessidade de “troca de talheres”, pensaram na disposição dos mesmos pela mesa e se era permitido ou não assoprar a sopa para que esta esfriasse mais rápido. Eles o faziam por educação.
Educação?
Não se sabe ao certo quando ou porque a educação foi inventada, mas certamente foi uma das poucas coisas realmente necessárias criadas para a sobrevivência do homem. Afinal, como o homem era um ser mais falante do que pensante e, apesar de inferior, dominante, era preciso reverter um pouco os costumes humanos e fazê-los pensar um pouco antes de falar. Ainda levados pelo instinto ocioso, o qual determinou, como podem ver, tudo na história humana, os homens começaram a observar as coisas e a se perguntar o porquê delas. Ao encontrar respostas, decidiram divulgá-las a partir da educação.
E educação era essa arte do saber, até que então os seres humanos mais uma vez foram esquecendo a verdadeira necessidade das coisas e reverteram o sentido da educação de “a arte do saber” para “a arte de parecer (saber)”. E isso é o que se entende por etiqueta. E isso é o que se entende por educação nos dias do hoje.
Locomoção
No início os homens andavam ou corriam. Isso bastava para suas necessidades, afinal, não era preciso se locomover muito além de sua aldeia. Mas logo a comunidade foi crescendo, o homem foi se socializando, sua necessidade de expressão inventou a fala que inventou ouvintes e a necessidade cada vez maior de mais ouvintes foi gerando invenções como fofocas, cartas, telégrafos, telefones, e-mails, salas de bate-papo, ICQ, MSN... enfim, esse foi o processo do meio de locomoção das palavras e da conversa, cada vez mais evoluído (não em termos de conteúdo, afinal os homens, como já foi visto, têm o prazer de tornar as coisas desnecessárias), fácil e rápido. O mesmo aconteceu com a locomoção propriamente dita.
Os homens começaram a usar animais para carregá-los – ou escravos, o que dava no mesmo –, inventaram novas tecnologias e formas de transformação de energia, podiam caminhar sobre as águas, a terra e mesmo sobre o ar. Não havia mais obstáculos (a não ser os icebergs, os urubus nas turbinas, as lombadas, os semáforos, os guardas, os pedestres...). Inventaram transportes coletivos para diminuir desconfortos para o meio-ambiente e para o trânsito, mas os homens, como bons estúpidos e egocêntricos, preferiram ter carros só seus.
E assim, mais uma vez, a “desnecessidade” foi invadindo as artes das necessidades (como no caso da alimentação e da educação), e as pessoas começaram a se interessar pelo carro mais veloz, bonito, econômico, espaçoso... Algumas coisas até necessárias, mas resultantes de coisas desnecessárias como, por exemplo, o dinheiro. O mesmo aconteceu com o meio de locomoção das palavras e o IRC foi substituído pelo ICQ, o qual, por sua vez, foi substituído pelo MSN com webcam ("Agora você pode usar uma webcam ao vivo para mostrar aos amigos quem você realmente é!" – ou seja, nos dias de hoje (ou nos de sempre?), o ser humano realmente é aquilo que sua aparência mostra).
A beleza da arte ou a arte da beleza?
Os homens, seres insatisfeitos, descobriram na arte o melhor meio de curar todo tédio que sentiam. Surgiu então “a arte pela arte”, ou seja, algo que já nascia dentro da própria desnecessidade, e não de coisas necessárias como roupa, locomoção, alimento etc. Os homens começaram a fazer blogs primitivos que não passavam de pinturas em suas cavernas as quais contavam sobre seu dia, a caça e seu modo de viver ou mesmo colocavam figuras bonitinhas que não piscavam nem se mexiam – nem eram cor-de-rosa.
Com a evolução, apareceram os diarinhos virtuais, as Patys com seus gifs piscantes, com figuras abomináveis e distorcidas (tanto quanto era na época das cavernas) – mas se mexiam e eram cor-de-rosa! E também apareceu a pura encheção de lingüiça que fala sobre “o nada”, conhecido como filosofia, política, cultura ou humor. Mas, antes disso, surgiram os livros que derrubaram muitas árvores, o teatro, os quadros, as esculturas, a fotografia, o cinema, a televisão... Tudo para curar o eterno tédio do homem.
Mas de tanto que as belas artes foram retratando “belezas”, houve uma inversão em seu sentido original: ao invés de expressar a beleza em si própria, a arte mostrava a beleza alheia. Afinal, as coisas bonitas sempre atraíram os homens, e se a beleza viesse dos próprios homens, isso agradava bastante – e era mais lucrativo. De repente, as pessoas encontraram o artista dentro de si – pois todo o homem tem essa necessidade de expressão – e não encontraram melhor forma de exteriorizar isso do que se tornando a própria obra de arte: começaram a esculturar-se a si próprios.
Acontece que, ao invés de beleza, as pessoas começaram a procurar um padrão – nem todo mundo consegue ser criativo – nem sempre acessível a todos, o que tornou o ser humano cada vez mais esforçado em encontrar uma beleza às vezes impossível. Surgiu então a cirurgia plástica: prima rica das artes plásticas.
Verdade mesmo é que essa arte se tornou popular a partir do momento em que as outras artes começaram a ser suplantadas pela televisão. Na TV, como no teatro, era necessário mostrar pessoas e, é claro, como em toda parte, essas pessoas deveriam mostrar beleza. Como a arte da televisão foi ficando cada vez mais deficiente, as pessoas começaram a ter acesso apenas à “arte da beleza corporal”. Isso aliado ao consumismo e ao capitalismo – o que somados geram alienação – tornou as pessoas verdadeiras consumidoras de beleza corporal, esquecendo – para o bem do capitalismo, é claro – da beleza cultural à qual dificilmente tinham (têm) acesso.
Esporte
O esporte nada mais é, obviamente, do que aquele instinto de competitividade do homem posto em prática. Algo com muitos lados positivos: tira o tédio, a depressão e faz bem à saúde. Verdade é que, se saúde engordasse, ninguém hoje em dia praticaria esporte, mas os humanos teimam em dizer que a geração atual é a "geração saúde". E essa "geração saúde" está cada vez mais cheia de mulheres bonitas e saradas, atraindo parceiros cada vez mais bonitos e musculosos gerando mais filhos saudáveis, lindos e fortes... Aí está a evolução da espécie atual.
(Em breve o cérebro também não será mais necessário e o homem passará a ser como os passarinhos: com belas penas coloridas e irracional. Isso vem comprovar a teoria de que o homem é a espécie mais inferior da natureza e que a evolução só será plena quando o raciocínio for extinto.)
Um dos esportes mais cultuados no mundo atual é o lucrativo, digo, emocionante futebol. (Nada melhor para um país como o Brasil do que isso, afinal essa é uma das poucas formas de se conseguir – e bastante! – o querido, amado e mais importante que qualquer outra coisa dinheiro.)
Dinheiro
Não se sabe se foi a maior obra do capitalismo (ou se a maior obra do último foi o caos total e a desgraça), mas o dinheiro é o recurso de sobrevivência mais importante para os humanos civilizados. Sem ele, os seres humanos não têm direito à dignidade, justiça, direitos, moradia, comida, saúde, educação e nem mesmo direito de fazer xixi ou cocô no terminal rodoviário do Jabaquara. Por isso as pessoas literalmente se matam para consegui-lo. A contradição disso tudo é que justamente os que não fazem nada são os que detêm a maior parte.
Por causa do dinheiro produzido através do capitalismo e para produzi-lo, o meio-ambiente é destruído, as pessoas são destruídas (apenas a população pobre ou miserável, ou seja, a maioria), as artes são destruídas, os cérebros são destruídos... Assim é que o dinheiro possibilita uma maior evolução do homem do que o próprio esporte: nos transformará – e à toda a Terra – em átomos.
Religião
Também foi criada pelo instinto ocioso, embora os homens insistam em acreditar que não. Um dia, um dos primeiros dias da existência humana, o homem observou toda aquela arte que não era obra de si mesmo, mas sim da natureza, e seguindo um raciocínio lógico (mais tarde conhecido como sofisma) tratou de explicá-la como sendo obra de seres divinos: os deuses. Seguindo esse raciocínio, como só os homens eram capazes de criar arte, só um homem (ou vários) mais evoluído(s) poderia(m) ter criado tudo que o havia de bonito na natureza – e não ela mesma. (A falha dessa lógica é o fato de ser necessário existir também outros deuses que criassem esses deuses, o que fazia essa teoria retornar ao ponto de partida...)
Mais tarde, fruto novamente do ócio, apareceram profetas os quais reinventavam a religião, porém a mesma lógica (sofisma) era mantida – ou seja, a mudança era apenas aparente. Ainda assim, como a educação era ou inexistente ou pouco divulgada, os humanos lutavam, guerreavam, brigavam e matavam para defender seus ideais, os quais, por falta de inteligência ou fanatismo, eles não percebiam que eram os mesmos de ambos os lados.
Com a evolução humana e a educação sendo distribuída a alguns, começaram a aparecer pensadores, filósofos e cientistas com pensamentos mais sofisticados capazes de explicar – e provar – algumas das obras da natureza. Apesar de os seres humanos obterem respostas sobre o funcionamento e origem dessas obras, o costume e os dogmas da religião (aliados à ignorância e ao desequilíbrio do ser humano) não permitiram que esta última fosse extinta (ainda que logicamente ela não fosse mais necessária; além do mais, ainda restavam dúvidas e os seres humanos temiam não poder ter todas as respostas...)
E que dúvidas eram essas? Os humanos, como já sabemos, são eternos egoístas e insatisfeitos e não aceitam a morte. Mesmo vendo que tudo no universo tem seu fim – sendo vivo ou não –, o homem não soube aceitar que ele também teria o seu. Isso porque, na cabeça de todo ser humano, existe a crença de que ele é um ser especial demais para simplesmente terminar e, sendo assim, ele acha(va) que viverá(viveria) para sempre.
E não só para "solucionar" esse problema existencial, a religião foi criada. A religião, assim como o dinheiro e a moral, foi(foram) criada(criados) para pôr uma "rédea" nos próprios seres humanos, para que eles não prejudicassem mais ainda o lugar em que vivem(viviam) e às outras pessoas. Claro que não haveria mais essa necessidade, se existisse educação de verdade para todo mundo; seria até melhor porque ao invés de rédeas, a educação criaria consciência. Apesar disso, a maioria dos seres humanos são gananciosos e estúpidos demais para entender.
Outro problema que o ser humano criou, e vem se popularizando cada vez mais com o passar do tempo, é o problema psicológico. Por causa dele, os seres humanos também recorrem à religião. Sendo o homem um ser muito egocêntrico, começara a se sentir sozinho, pois não encontrava solidariedade para resolver seus problemas. O homem encontrou saída no(s) seu(s) deus(es), afinal apenas deus – sendo um homem perfeito – poderia ouvir seus problemas e quem sabe solucioná-los. Essa solução nada mais era que o resultado da fé humana – em ser curado ou em ser simplesmente ouvido. Um médico logicamente poderia também ajudar o homem, tanto um médico do corpo como um médico da mente: o psicólogo. Mas a ignorância – e a pobreza, pois sabemos que saúde só é acessível àqueles que possuam dinheiro – das pessoas mais uma vez não deixou que elas percebessem que essa cura não vinha de deus e sim delas mesmas. Isso porque essa "cura" aliada à resposta de suas dúvidas era algo muito bem-vindo aos humanos ingênuos e, como sempre, sozinhos...
QUESTAO:
- Faça a leitura do texto e a partir do que foi lido e entendido sobre o que foi a evolução humana escreva um texto com as suas próprias idéias sobre o processo evolutivo do homem, considerando os avanços e retrocessos.
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Textos (aulas de História 1º ano)
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