sexta-feira, 18 de março de 2011

TRABALHO ESCRAVO E INFANTIL





Trabalho infantil gera lucro pra quem explora, pobreza pra quem é explorado, faz parte da cultura econômica brasileira e está diretamente ligado ao trabalho escravo. A quem incomoda a luta contra o trabalho infantil? Incomoda aos que se incomodam com a luta contra o trabalho escravo. Incomoda aos que se incomodam com a luta contra o trabalho degradante. O combate ao trabalho infantil incomoda a quem lucra com o trabalho infantil, a quem lucra com o trabalho escravo e a quem lucra com o trabalho degradante.
A quem incomoda a dignidade humana; a quem incomoda a beleza, a resistência, a sensualidade, a honestidade, a capacidade de organização do pobre; a quem incomoda a imagem bonita dos menos favorecidos? A quem incomoda a denúncia das injustiças da pobreza? Incomoda aos ricos e incomoda a uma parcela da classe média. Pra existir um rico quantos pobres tem que existir? Me perguntou um dia um carvoeiro, cansado de trabalhar, desde criança.
Ataliba dos Santos estava cansado de não assinar a carteira, não estudar, cansado de nãos... E cansado de não ter respostas. Enquanto fotografava pensava a quem interessa o desequilíbrio social? No Brasil, o trabalho infantil não é conseqüência da pobreza, mas sim instrumento financiador dela. Empregar crianças significa lucro fácil. A exploração infantil gera o desemprego dos pais, trabalho escravo, crianças doentes, subnutridas, morando em precárias condições, prejudicadas na sua capacidade intelectual e no seu direito à educação, lesadas no seu direito ao lazer, ao carinho, à alegria; sem infância.
“A gente custa muito pra entender que nasceu pra ser peixe de engordar gato que engorda rico e, em casa, a gente fabrica com todo amor os próximos peixinhos. Pra fugir disso, botei todo mundo pra estudar, mas sinto um aperto no peito porque sei que o ensino é muito ruim. Filho de pobre, mesmo depois de estudar um, dois, quatro anos, continua analfabeto. “As palavras de José dos Santos, carvoeiro na região do serrado, em minas Gerais expressão a luta para mudar uma realidade.
José dos Santos está tentando romper uma corrente perversa que alimenta uma cadeia de trabalho degradante nas carvoarias brasileiras, assim como nos sisais, nas fazendas, nos canaviais, nas pedreiras e em vários setores do segmento rural que alimentam indústrias urbanas. O trabalhador que vive em trabalho degradante ou análogo a escravo, é, na sua imensa maioria, analfabeto, e foi explorado como trabalhador infantil. Aconteceu assim com seus pais e seus avós. O caminho normal é acontecer com os filhos e netos.
Infelizmente, ainda não existe no Brasil uma política social que faça a associação entre trabalho infantil e trabalho degradante, análogo a escravo ou escravo, de forma a romper esse círculo. A realidade é que o trabalhador escravo de hoje foi o trabalhador infantil de ontem. A realidade do trabalho nas carvoarias brasileiras merece uma análise diferenciada. Muitas vezes o trabalho não é considerado trabalho escravo, outras vezes sim.
Porém, sempre é um trabalho extremamente pesado e quase sempre, mesmo em casos de carteira assinada, um trabalho degradante. Acaba com a saúde do trabalhador. Muitas vezes, olhar uma carvoaria em pleno vapor é, do ponto de vista humanitário, algo inaceitável.




ACâmara dos Deputados está prestes a votar uma das mais importantes Emendas Constitucionais deste ano. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 438, que confisca a propriedade rural em que for encontrado trabalho escravo, será fundamental para contribuir com a erradicação desta prática no país. Milhares de brasileiros são obrigados a trabalhar em condições desumanas, roubados de sua dignidade e de sua liberdade, enquanto alguns poucos empresários lucram com a exploração dessa mão-de-obra. Com isso, cometem um crime contra os direitos humanos e, ao mesmo tempo, mancham a imagem do Brasil no exterior. A Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE) enumerou as mentiras mais contadas por aqueles que não querem ver o problema resolvido e contou a verdade por trás delas.

MENTIRAS SOBRE O TRABALHO ESCRAVO





Mentiras:
1.Não existe trabalho escravo no Brasil.
2.A escravidão foi extinta em 13 de maio de 1888.
3.Se o problema existe, é pequeno. Além disso, apenas uma meia dúzia de fazendeiros utiliza trabalho escravo.
4.A lei não explica detalhadamente o que é trabalho escravo. Com isso, o empresário não sabe o que é proibido fazer.
5.A culpa não é do fazendeiro e sim de “gatos”, gerentes e prepostos. O empresário não sabe dos fatos que ocorrem dentro de sua fazenda e por isso não pode ser responsabilizado.
6.O trabalho escravo urbano é do mesmo tamanho que o trabalho rural.
7.Já existem muitas punições para quem pratica trabalho escravo. É só fazer cumprir a lei que a questão está resolvida. Não é necessária a aprovação de uma lei de confisco de terras.
8.A Justiça já tem muitos instrumentos para combater o trabalho escravo, não é necessário criar mais um.
9.Esse tipo de relação de trabalho já faz parte da cultura da região.
10.Não é possível aplicar a legislação trabalhista na região de fronteira agrícola amazônica. Isso geraria desemprego.
11.A fiscalização abusa do poder e é guiada por um viés ideológico. A Polícia Federal entra armada nas fazendas.
12.A divulgação internacional prejudica o comércio exterior e vai trazer prejuízo ao país.
13.A imprensa prejudica a imagem de estados como Pará, Mato Grosso,Tocantins, Maranhão, Rio de Janeiro e Bahia, entre outros, ao mostrar que há propriedades com trabalho escravo.
14.O Estado está ausente da região de fronteira agrícola e só aparece para punir quem está desenvolvendo o país.


Comentário sobre algumas:



1) Mentira: Não existe trabalho escravo no Brasil.
Verdade: Infelizmente, existe. A assinatura da Lei Áurea, em 1888, representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, colocando fim à possibilidade de possuir legalmente um escravo. No entanto, persistem situações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se desligar de seus patrões. Há fazendeiros que, para realizar derrubadas de matas nativas para formação de pastos, produzir carvão para a indústria siderúrgica, preparar o solo para plantio de sementes, entre outras atividades agropecuárias, contratam mão-de-obra utilizando os famigerados “gatos”.
Eles aliciam os trabalhadores, servindo de fachada para que os fazendeiros não sejam responsabilizados pelo crime. Esses “gatos” recrutam trabalhadores em regiões distantes do local da prestação de serviços ou em pensões localizadas nas cidades próximas. Na primeira abordagem, eles se mostram pessoas extremamente agradáveis, portadores de excelentes oportunidades de trabalho. Oferecem serviço em fazendas, com salário alto e garantido, boas condições de alojamento e comida farta.
Para seduzir o trabalhador, oferecem “adiantamentos” para a família e garantia de transporte gratuito até o local de trabalho. O transporte é realizado por ônibus em péssimas condições de conservação ou por caminhões improvisados sem qualquer segurança. Ao chegarem ao local de trabalho, eles são surpreendidos com situações completamente diferentes das prometidas. Para começar, o “gato” lhes informa que já estão devendo.
O adiantamento, o transporte e as despesas com alimentação na viagem já foram anotados no caderno de dívida do trabalhador que ficará de posse do “gato”. Além disso, o trabalhador percebe que o custo de todos os instrumentos que precisar para o trabalho – foices, facões, motosserras, entre outros – também serão anotados no caderno de dívidas, bem como botas, luvas, chapéus e roupas.
Finalmente, despesas com os emporcalhados e improvisados alojamentos e com a precária alimentação serão anotados, tudo a preço muito acima dos praticados no comércio.

4) Mentira:
A lei não explica detalhadamente o que é trabalho escravo. Com isso, o empresário não sabe o que é proibido fazer.

Verdade: O artigo n.º 149 do Código Penal (que trata do crime do trabalho escravo) existe desde o início do século passado. A legislação trabalhista aplicada no meio rural é da década de 70 (lei n.º 5.889). Portanto, tanto a existência do crime como a obrigação de garantir os direitos trabalhistas não são coisas novas. Os proprietários rurais que costumeiramente exploram o trabalho escravo, na maioria das vezes, são pessoas instruídas que vivem nos grandes centros urbanos do país, possuindo excelente assessoria contábil e jurídica para suas fazendas e empresas.
Além disso, uma série de acordos e convenções internacionais tratam da escravidão contemporânea. Por exemplo, as convenções internacionais de 1926 e a de 1956, que proíbem a servidão por dívida, entraram em vigor no Brasil em 1966. Essas convenções estão incorporadas à legislação nacional. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) trata do tema nas convenções número 29, de 1930, e 105, de 1957. Há também a Declaração de Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho e seu Seguimento, de 1998.
De acordo com o Relatório Global da OIT de 2001, as diversas modalidades de trabalho forçado no mundo têm sempre em comum duas características: o uso da coação e a negação da liberdade. No Brasil, o trabalho escravo resulta da soma do trabalho degradante com a privação de liberdade. O trabalhador fica preso a uma dívida, tem seus documentos retidos, é levado a um local isolado geograficamente que impede o seu retorno para casa ou não pode sair de lá, impedido por seguranças armados. A Organização utiliza, no Brasil, o termo “trabalho escravo” em seus documentos.


5) Mentira: A culpa não é do fazendeiro e sim de “gatos”, gerentes e prepostos. O empresário não sabe dos fatos que ocorrem dentro de sua fazenda e, por isso, não pode ser responsabilizado.
Verdade: O empresário é o responsável legal por todas as relações trabalhistas de seu negócio. A Constituição Federal de 1988 condiciona a posse da propriedade rural ao cumprimento de sua função social, sendo de obrigação de seu proprietário tudo o que ocorrer nos domínios da fazenda. Por isso, o fazendeiro tem o dever de acompanhar com freqüência a ação dos funcionários que administram sua fazenda para verificar se eles estão descumprindo alguma norma da legislação trabalhista, além de orientá-los no sentido de contratar trabalhadores de acordo com as normas estabelecidas pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).


6) Mentira: A Justiça já tem muitos instrumentos para combater o trabalho escravo; não é necessário criar mais um.

Verdade: Erra quem pensa que trabalho escravo é um problema apenas trabalhista. Trabalho escravo é um crime de violação de direitos humanos. Normalmente, quem se utiliza dessa prática também é flagrado por outros crimes e contravenções. Dessa forma, o trabalho escravo torna-se um tema transversal, que está ligado a diversas áreas e por todas deve ser combatido. A própria Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) é intersetorial, envolvendo diversas instituições estatais e da sociedade civil.
Trabalho escravo também é um problema de desrespeito aos direitos humanos (tortura, maus tratos), criminal (cerceamento de liberdade, espancamentos, assassinatos) e previdenciário. Todos sabem que a PEC, quando aprovada, não vai resolver sozinha o problema do trabalho escravo. Para isso, é necessário também gerar empregos, conceder crédito agrícola, melhorar as condições de vida dos trabalhadores, atuando de forma preventiva nos locais de aliciamento para que eles não precisem migrar em busca de um emprego em local distante e desconhecido. Mas a nova lei vai se somar aos instrumentos já existentes para erradicar o problema.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Vamos refletir???

Jabor - Gostem ou não, o texto é imperdível!



-Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.
Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida;
Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;
Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade. ...
Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária.
É coisa de gente otária.
- Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.

Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.
Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai.
Brasileiro tem um sério problema.
Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

- Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.

Brasileiro é vagabundo por excelência.
O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo..
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo..
Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.
- Brasileiro é um povo honesto. Mentira.

Já foi; hoje é uma qualidade em baixa.
Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso.
Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.


- 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira.

Já foi.
Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da
Guerra do Paraguai ali se instalaram.
Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime.
Hoje a realidade é diferente.
Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal.
Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas.
Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

- O Brasil é um pais democrático. Mentira.

Num país democrático a vontade da maioria é Lei.
A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.
Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia.
Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita.
Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores).
Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.

Democracia isso? Pense !

O famoso jeitinho brasileiro.
Na minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira.
Brasileiro se acha malandro, muito esperto.
Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.
No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí?
Afinal somos penta campeões do mundo né?? ?
Grande coisa...

O Brasil é o país do futuro. Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos.
Dessa vergonha eles se safaram...
Brasil, o país do futuro !?
Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

Deus é brasileiro.
Puxa, essa eu não vou nem comentar...

O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.
Para finalizar tiro minha conclusão:


O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente.
Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta.
Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.
Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!

Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?


Arnaldo Jabor

Pensadores Iluministas

Filósofos Iluministas
No Iluminismo, os principais filósofos foram: Locke, Montesquieu, Voltaire e Rousseau. As idéias desses filósofos foram o lema que dirige a sociedade burguesa: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". É com estes filósofos que se forma toda a estrutura social que vivemos hoje = a sociedade burguesa. Houve também os economistas que vão gerar o sistema capitalista liberal que vivemos hoje = o neoliberalismo.
John Locke: Locke foi um filósofo que atacou a concepção absolutista de Thomas Hobbes = o mundo vivia num caos, mas o homem criou o governo e formou-se a sociedade civil, essa sociedade foi feita em um acordo entre o governante e o governado e esse acordo jamais poderia ser rompido e essa impossibilidade de romper o contrato caracterizava o absolutismo. Locke concorda com a sociedade civil (o contrato), porém o contrato não só pode como deve ser rompido se o governante mostrar ser um mau governante = acaba o absolutismo. Se o rei é ruim, tira-o e põe outro. Isso existe até os dias de hoje.
O primeiro país que trouxe na sua constituição o princípio de Locke foram os Estados Unidos.
Locke também disse que os direitos individuais são dons, são nossos, ninguém pode mexer, as nossas habilidades e aquilo que conseguimos através delas também é nosso. Fala-se do individualismo das pessoas na sociedade e sobre a propriedade privada que pertence a uma determinada pessoa.
A teoria de Locke serve corretamente para a burguesia: direitos individuais assegurados, propriedade privada inviolável e a possibilidade de tirar os governantes se não estiverem atendendo a seus interesses.
Resumo: ataca Hobbes. Diz que podemos retirar o governante do poder se ele não estiver sendo bom; diz que a propriedade é um bem inviolável e defende o individualismo que cada pessoa tem.
Montesquieu: Montesquieu também vai combater o absolutismo, principalmente as idéias de Maquiavel = o rei pode fazer o que quiser, porque está acima das nossas regras morais e éticas. Montesquieu falava que isso está errado, porque quando uma pessoa detém todos os poderes na sua mão, essa pessoa faz mau uso do poder. Então ele diz que só se combate o poder com o poder, para isso deve-se fracionar o poder que é uno em três, então Montesquieu cria a tripartição dos poderes: 1-)Legislativo 2-)Executivo 3-)Judiciário.
Resumo: combate Maquiavel. dizia que o rei não podia ter poderes totais, porque ele faria mau uso do poder. Então, "somente o poder detém o poder" = cria-se a tripartição do poder em: executivo, legislativo e judiciário.
Voltaire: é o mais irreverente. Expõe sua filosofia em romances (mais fácil de ler). Ele diz que o Estado (monarquia) deve ser dirigido por um rei filósofo, ou então, um rei que tenha ministros filósofos, então ele defende a razão e os princípios iluministas para dirigir o Estado.
Resumo: ele defende a razão e os princípios iluministas par dirigir o Estado. O rei deve ser filósofo ou ter ministros filósofos.
Jean-Jaques Rousseau: Rousseau é o mais radical de todos, ao invés de ver os problemas da burguesia, ele vê os problemas do povo. Ele vai analisar as causas da pobreza e vai chegar à conclusão de que os problemas da sociedade na qual vivia eram causados pela propriedade privada (depois que ela veio, veio junto a pobreza) = isso vai contra os desejos da burguesia que defendia a propriedade privada, então Rousseau será um filósofo pobre (quem patrocinava os filósofos era a burguesia e como ele era contra os interesses desta, não receberá dinheiro).
Rousseau é um filósofo romântico, porque propõe a volta antes dos maus acontecerem. Por isso ele cria o mito do Bom Selvagem = o índio que vivia feliz e contente sem a propriedade privada. Esse mito pode ser comparado a uma criança que é pura, mas depois ela se torna ambiciosa (por causa da sociedade competitiva e da propriedade privada) e começam os problemas da sociedade.
Ele propõe a democracia = o governo do povo. É o único que fala em República (coisa do povo). "Devemos obedecer a voz da maioria". Ele é tão radical que vão considerá-lo o 1.º socialista, mas não foi. Socialismo só no séc. XIX (ainda está no XVIII).
Resumo: fala em igualdade social, democracia (o poder emanando da maioria), faz crítica à sociedade e à propriedade privada através do mito do Bom Selvagem.
Diderot e D'Alembert: eles vão juntar todo o saber burguês existente naquela época (fazem um convite a vários filósofos iluministas) em um Enciclopédia. Demoram 30 anos para fazê-la. Estando em livros, as pessoas que não podiam ver os filósofos, poderiam saber sobre suas idéias. Com isso, as idéias se espalharam com maior facilidade, ajudando a derrubar o Antigo Regime.
Resumo: vão juntar todo o saber burguês em uma Enciclopédia e fazendo assim, mais pessoas poderiam saber sobre as idéias dos filósofos e assim espalham os ideais para derrubar o Antigo Regime.
A sociedade (burguesa) na qual vivemos hoje é fruto das idéias feitas pelos filósofos do iluminismo que fazem uma série de idéias compostas na frase: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade".

sexta-feira, 5 de março de 2010

Minhas hipóteses sobre a evolução humana

Na Terra surgiu o ser humano, um ser complexo e, por isso mesmo, inferior. Ele precisava se alimentar dos raios do sol, porque, naquela época, nem vegetais havia ainda. Era para isso que existia a apêndice (que dá apendicite), a qual foi sendo desativada assim que o ser humano foi encontrando novas vidas (descendentes dele, como, por exemplo, o macaco) que serviriam para variar sua dieta. Felizmente, naquela época não existia capitalismo ou consumismo, por isso foi possível a sobrevivência dos outros seres sem serem consumidos ou extintos antes.

Em alguns lugares da Terra, o clima era frio demais para ser suportado pelos seres humanos, os quais, então, decidiram se cobrir com peles de seus descendentes mais evoluídos. Era “quente”, bom, confortável e isso satisfez o homem. Até um dia que, sem mais o que fazer e por um instinto de pura ociosidade, digo, de competitividade, esses homo alguma coisa começaram a se disputar pela pele “mais quente” e, quando todos já tinham peles quentes, decidiram disputar quais cortes eram mais bonitos, coloridos e raros. Assim, os homens simplesmente foram se esquecendo de qual era a verdadeira necessidade das peles e começaram a praticar arte. À arte das peles, eles denominaram moda.

Isso tudo porque a necessidade de expressão humana costumava invadir todas as outras necessidades... Em tudo o homem acrescentava sua expressão, e por isso essas coisas viraram artes (algo muito mais prazeroso). Essa arte era o único trunfo dos seres humanos sobre seus descendentes, porém era usada pra suprimir tédio e insatisfação, coisas que os outros seres vivos não tinham.

Tão preocupados com sua arte – ou seja, a expressão de seu ego –, os humanos começavam sua devastação da Terra. Descobriram a escrita, descobriram as árvores e daí o papel, descobriram os livros. Descobriram a televisão, o consumo e a alienação e foram esquecendo os livros.

A alimentação
Os seres humanos começaram a variar seu cardápio e, logo que descobriram o fogo, puderam fazer comidas cada vez mais apetitosas e novamente o instinto insatisfeito dos humanos vigorou e os fez começar uma nova disputa: quem comia mais, qual comida era mais gostosa etc., e nisso os outros seres superiores iam ficando em desvantagem na pirâmide alimentar.

Alguns seres humanos, cansados de se sujarem tanto e terem tanta dificuldade em comer a carne dos outros animais, inventaram os talheres. A cultura dos talheres e da facilidade do seu uso foi se disseminando por quase todo o Ocidente e assim as comunidades passaram a comer dentro de seus pratos e a cortar com faca.

Logo, como não podia deixar de ser, o instinto ocioso voltou a aparecer e algumas pessoas acharam que comer era muito selvagem e instintivo então (agindo por um outro instinto já citado), decidiram criar as regras de etiqueta, as quais não se resumiam apenas à alimentação. Mais uma vez os seres humanos foram se deixando levar por hábitos e nunca pensaram se havia mesmo necessidade de “troca de talheres”, pensaram na disposição dos mesmos pela mesa e se era permitido ou não assoprar a sopa para que esta esfriasse mais rápido. Eles o faziam por educação.

Educação?
Não se sabe ao certo quando ou porque a educação foi inventada, mas certamente foi uma das poucas coisas realmente necessárias criadas para a sobrevivência do homem. Afinal, como o homem era um ser mais falante do que pensante e, apesar de inferior, dominante, era preciso reverter um pouco os costumes humanos e fazê-los pensar um pouco antes de falar. Ainda levados pelo instinto ocioso, o qual determinou, como podem ver, tudo na história humana, os homens começaram a observar as coisas e a se perguntar o porquê delas. Ao encontrar respostas, decidiram divulgá-las a partir da educação.

E educação era essa arte do saber, até que então os seres humanos mais uma vez foram esquecendo a verdadeira necessidade das coisas e reverteram o sentido da educação de “a arte do saber” para “a arte de parecer (saber)”. E isso é o que se entende por etiqueta. E isso é o que se entende por educação nos dias do hoje.

Locomoção
No início os homens andavam ou corriam. Isso bastava para suas necessidades, afinal, não era preciso se locomover muito além de sua aldeia. Mas logo a comunidade foi crescendo, o homem foi se socializando, sua necessidade de expressão inventou a fala que inventou ouvintes e a necessidade cada vez maior de mais ouvintes foi gerando invenções como fofocas, cartas, telégrafos, telefones, e-mails, salas de bate-papo, ICQ, MSN... enfim, esse foi o processo do meio de locomoção das palavras e da conversa, cada vez mais evoluído (não em termos de conteúdo, afinal os homens, como já foi visto, têm o prazer de tornar as coisas desnecessárias), fácil e rápido. O mesmo aconteceu com a locomoção propriamente dita.
Os homens começaram a usar animais para carregá-los – ou escravos, o que dava no mesmo –, inventaram novas tecnologias e formas de transformação de energia, podiam caminhar sobre as águas, a terra e mesmo sobre o ar. Não havia mais obstáculos (a não ser os icebergs, os urubus nas turbinas, as lombadas, os semáforos, os guardas, os pedestres...). Inventaram transportes coletivos para diminuir desconfortos para o meio-ambiente e para o trânsito, mas os homens, como bons estúpidos e egocêntricos, preferiram ter carros só seus.

E assim, mais uma vez, a “desnecessidade” foi invadindo as artes das necessidades (como no caso da alimentação e da educação), e as pessoas começaram a se interessar pelo carro mais veloz, bonito, econômico, espaçoso... Algumas coisas até necessárias, mas resultantes de coisas desnecessárias como, por exemplo, o dinheiro. O mesmo aconteceu com o meio de locomoção das palavras e o IRC foi substituído pelo ICQ, o qual, por sua vez, foi substituído pelo MSN com webcam ("Agora você pode usar uma webcam ao vivo para mostrar aos amigos quem você realmente é!" – ou seja, nos dias de hoje (ou nos de sempre?), o ser humano realmente é aquilo que sua aparência mostra).

A beleza da arte ou a arte da beleza?
Os homens, seres insatisfeitos, descobriram na arte o melhor meio de curar todo tédio que sentiam. Surgiu então “a arte pela arte”, ou seja, algo que já nascia dentro da própria desnecessidade, e não de coisas necessárias como roupa, locomoção, alimento etc. Os homens começaram a fazer blogs primitivos que não passavam de pinturas em suas cavernas as quais contavam sobre seu dia, a caça e seu modo de viver ou mesmo colocavam figuras bonitinhas que não piscavam nem se mexiam – nem eram cor-de-rosa.

Com a evolução, apareceram os diarinhos virtuais, as Patys com seus gifs piscantes, com figuras abomináveis e distorcidas (tanto quanto era na época das cavernas) – mas se mexiam e eram cor-de-rosa! E também apareceu a pura encheção de lingüiça que fala sobre “o nada”, conhecido como filosofia, política, cultura ou humor. Mas, antes disso, surgiram os livros que derrubaram muitas árvores, o teatro, os quadros, as esculturas, a fotografia, o cinema, a televisão... Tudo para curar o eterno tédio do homem.

Mas de tanto que as belas artes foram retratando “belezas”, houve uma inversão em seu sentido original: ao invés de expressar a beleza em si própria, a arte mostrava a beleza alheia. Afinal, as coisas bonitas sempre atraíram os homens, e se a beleza viesse dos próprios homens, isso agradava bastante – e era mais lucrativo. De repente, as pessoas encontraram o artista dentro de si – pois todo o homem tem essa necessidade de expressão – e não encontraram melhor forma de exteriorizar isso do que se tornando a própria obra de arte: começaram a esculturar-se a si próprios.

Acontece que, ao invés de beleza, as pessoas começaram a procurar um padrão – nem todo mundo consegue ser criativo – nem sempre acessível a todos, o que tornou o ser humano cada vez mais esforçado em encontrar uma beleza às vezes impossível. Surgiu então a cirurgia plástica: prima rica das artes plásticas.

Verdade mesmo é que essa arte se tornou popular a partir do momento em que as outras artes começaram a ser suplantadas pela televisão. Na TV, como no teatro, era necessário mostrar pessoas e, é claro, como em toda parte, essas pessoas deveriam mostrar beleza. Como a arte da televisão foi ficando cada vez mais deficiente, as pessoas começaram a ter acesso apenas à “arte da beleza corporal”. Isso aliado ao consumismo e ao capitalismo – o que somados geram alienação – tornou as pessoas verdadeiras consumidoras de beleza corporal, esquecendo – para o bem do capitalismo, é claro – da beleza cultural à qual dificilmente tinham (têm) acesso.

Esporte

O esporte nada mais é, obviamente, do que aquele instinto de competitividade do homem posto em prática. Algo com muitos lados positivos: tira o tédio, a depressão e faz bem à saúde. Verdade é que, se saúde engordasse, ninguém hoje em dia praticaria esporte, mas os humanos teimam em dizer que a geração atual é a "geração saúde". E essa "geração saúde" está cada vez mais cheia de mulheres bonitas e saradas, atraindo parceiros cada vez mais bonitos e musculosos gerando mais filhos saudáveis, lindos e fortes... Aí está a evolução da espécie atual.

(Em breve o cérebro também não será mais necessário e o homem passará a ser como os passarinhos: com belas penas coloridas e irracional. Isso vem comprovar a teoria de que o homem é a espécie mais inferior da natureza e que a evolução só será plena quando o raciocínio for extinto.)

Um dos esportes mais cultuados no mundo atual é o lucrativo, digo, emocionante futebol. (Nada melhor para um país como o Brasil do que isso, afinal essa é uma das poucas formas de se conseguir – e bastante! – o querido, amado e mais importante que qualquer outra coisa dinheiro.)

Dinheiro
Não se sabe se foi a maior obra do capitalismo (ou se a maior obra do último foi o caos total e a desgraça), mas o dinheiro é o recurso de sobrevivência mais importante para os humanos civilizados. Sem ele, os seres humanos não têm direito à dignidade, justiça, direitos, moradia, comida, saúde, educação e nem mesmo direito de fazer xixi ou cocô no terminal rodoviário do Jabaquara. Por isso as pessoas literalmente se matam para consegui-lo. A contradição disso tudo é que justamente os que não fazem nada são os que detêm a maior parte.

Por causa do dinheiro produzido através do capitalismo e para produzi-lo, o meio-ambiente é destruído, as pessoas são destruídas (apenas a população pobre ou miserável, ou seja, a maioria), as artes são destruídas, os cérebros são destruídos... Assim é que o dinheiro possibilita uma maior evolução do homem do que o próprio esporte: nos transformará – e à toda a Terra – em átomos.

Religião

Também foi criada pelo instinto ocioso, embora os homens insistam em acreditar que não. Um dia, um dos primeiros dias da existência humana, o homem observou toda aquela arte que não era obra de si mesmo, mas sim da natureza, e seguindo um raciocínio lógico (mais tarde conhecido como sofisma) tratou de explicá-la como sendo obra de seres divinos: os deuses. Seguindo esse raciocínio, como só os homens eram capazes de criar arte, só um homem (ou vários) mais evoluído(s) poderia(m) ter criado tudo que o havia de bonito na natureza – e não ela mesma. (A falha dessa lógica é o fato de ser necessário existir também outros deuses que criassem esses deuses, o que fazia essa teoria retornar ao ponto de partida...)

Mais tarde, fruto novamente do ócio, apareceram profetas os quais reinventavam a religião, porém a mesma lógica (sofisma) era mantida – ou seja, a mudança era apenas aparente. Ainda assim, como a educação era ou inexistente ou pouco divulgada, os humanos lutavam, guerreavam, brigavam e matavam para defender seus ideais, os quais, por falta de inteligência ou fanatismo, eles não percebiam que eram os mesmos de ambos os lados.

Com a evolução humana e a educação sendo distribuída a alguns, começaram a aparecer pensadores, filósofos e cientistas com pensamentos mais sofisticados capazes de explicar – e provar – algumas das obras da natureza. Apesar de os seres humanos obterem respostas sobre o funcionamento e origem dessas obras, o costume e os dogmas da religião (aliados à ignorância e ao desequilíbrio do ser humano) não permitiram que esta última fosse extinta (ainda que logicamente ela não fosse mais necessária; além do mais, ainda restavam dúvidas e os seres humanos temiam não poder ter todas as respostas...)

E que dúvidas eram essas? Os humanos, como já sabemos, são eternos egoístas e insatisfeitos e não aceitam a morte. Mesmo vendo que tudo no universo tem seu fim – sendo vivo ou não –, o homem não soube aceitar que ele também teria o seu. Isso porque, na cabeça de todo ser humano, existe a crença de que ele é um ser especial demais para simplesmente terminar e, sendo assim, ele acha(va) que viverá(viveria) para sempre.

E não só para "solucionar" esse problema existencial, a religião foi criada. A religião, assim como o dinheiro e a moral, foi(foram) criada(criados) para pôr uma "rédea" nos próprios seres humanos, para que eles não prejudicassem mais ainda o lugar em que vivem(viviam) e às outras pessoas. Claro que não haveria mais essa necessidade, se existisse educação de verdade para todo mundo; seria até melhor porque ao invés de rédeas, a educação criaria consciência. Apesar disso, a maioria dos seres humanos são gananciosos e estúpidos demais para entender.

Outro problema que o ser humano criou, e vem se popularizando cada vez mais com o passar do tempo, é o problema psicológico. Por causa dele, os seres humanos também recorrem à religião. Sendo o homem um ser muito egocêntrico, começara a se sentir sozinho, pois não encontrava solidariedade para resolver seus problemas. O homem encontrou saída no(s) seu(s) deus(es), afinal apenas deus – sendo um homem perfeito – poderia ouvir seus problemas e quem sabe solucioná-los. Essa solução nada mais era que o resultado da fé humana – em ser curado ou em ser simplesmente ouvido. Um médico logicamente poderia também ajudar o homem, tanto um médico do corpo como um médico da mente: o psicólogo. Mas a ignorância – e a pobreza, pois sabemos que saúde só é acessível àqueles que possuam dinheiro – das pessoas mais uma vez não deixou que elas percebessem que essa cura não vinha de deus e sim delas mesmas. Isso porque essa "cura" aliada à resposta de suas dúvidas era algo muito bem-vindo aos humanos ingênuos e, como sempre, sozinhos...



QUESTAO:


- Faça a leitura do texto e a partir do que foi lido e entendido sobre o que foi a evolução humana escreva um texto com as suas próprias idéias sobre o processo evolutivo do homem, considerando os avanços e retrocessos.

domingo, 15 de novembro de 2009

O que significava viver sob uma ditadura militar?

O que significa viver sob uma ditadura militar? É exagerado achar que a toda hora tem tanque na rua, soldados desfilando dentro das faculdades. Aparentemente não muda muita coisa, porque você vai às compras, ao dentista, à praia e ao cinema, namora e casa, vê televisão. A não ser o fato de que seu vizinho é oficial do Exército e você sabe que por isso ele manda aqui no prédio (e isso pode ser até bom para a vizinhança), o resto parece bem normal. Mas, se você tiver um pingo de consciência, desconfia que as coisas não vão bem. Existe um cheirinho de esquisitice: as pessoas falam baixo, há uma nuvem de mistério cobrindo o país, o estômago fica pesado demais.

Depois de 1964 ainda dava para fazer umas passeatazinhas e desafiar o regime. Depois do AI-5 (dezembro de 1968) o regime tinha fechado de vez. Passeata era dissolvida a tiros de fuzil. Em cada redação de jornal havia um imbecil da polícia federal para fazer a censura, Não poderia sair nenhuma notícia que desagradasse ao governo. Uma simples reportagem esportiva sobre o time do Internacional de Porto Alegre, com sua camisa vermelha, poderia ser encarada como “propaganda da Internacional Comunista”. Além da censura, o jornal não podia dizer que tinha sofrido a censura (isso, claro, também era censurado). O jeito foi botar receitas de bolo nos vazios deixados pelas partes retiradas pela polícia. As pessoas estavam lendo uma página sobre política nacional e, de repente, vinha aquela absurda receita para fazer uma torta de abacaxi. Os espertos sacavam logo que era um protesto. Os mais ingênuos (por conivência ou conveniência, chegavam a mandar cartas para as redações dos jornais, pois as receitas, por vezes, eram irracionais: “cinco quilos de açúcar, 100 g de farinha de trigo, dois quilos de sal, vinte tabletes de fermento, uma colher de chá de suco de laranja...” Não há receita que dê certo assim, hehehe. Claro que existem ainda hoje ingênuos ainda mais imbecis, que declaram coisas como: “naquele tempo o governo era muito melhor do que hoje. Bastava abrir os jornais, eles só tinham elogios para o governo. Aliás, também tinham receitas de bolo muito boas.”

Ninguém podia falar mal do governo. Reclamação na fila do ônibus era uma linha até à cadeia. Estudantes e professores que conversassem sobre política poderiam ser expulsos da escola ou da faculdade, devido ao decreto-lei nº 477 (1969), Imagine o clima dentro da sala de aula. Se o professor contasse aos alunos o que você está lendo neste livro, corria o sério risco de não poder voltar mais à sala de aula. Ou mesmo para a sua própria casa...



_ O que você acha da situação atual?

_ Eu não acho nada! Tinha um amigo que achava muito e hoje ninguém acha ele! To fora!



Qualquer aluno novo que tentasse se enturmar era logo suspeito de pertencer ao SNI. Veja que coisa, a ditadura tolheu até as novas amizades!

O político que fizesse oposição aguda seria logo cassado pelo AI-5. Foi o caso, por exemplo, do deputado federal Francisco Pinto (MDB), punido em 1974 porque fez no Congresso um discurso chamando de “ditador” o ditador chileno Pinochet em visita ao Brasil, o deputado Lysâneas Maciel (MDB) solicitou a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar denúncias de corrupção no regime. Não teve CPI nenhuma e ele ainda foi cassado. É isso aí: numa ditadura, a sociedade não pode fiscalizar o governo. Os cidadãos estão enjaulados, mas a corrupção está livre.

Com tantas dificuldades, como continuar fazendo oposição ao regime? Para muitos jovens, só havia um caminho a seguir: a luta armada.

Falar em guerrilha nos anos 60 arrepiava muita gente. Ela parecia ser a grande arma de libertação dos povos do Terceiro Mundo. Exemplos não faltavam. Em Cuba, Fidel Castro e Che Guevara abriram o caminho: No Vietnã, os guerrilheiros de Ho Chi (Minh derrotavam a maior máquina de guerra do planeta, a do imperialismo norte-americano. Na Argélia, os guerrilheiros dobraram as tropas francesas e conquistaram a independência do país. Na própria China, a revolução socialista foi vitoriosa depois de anos de guerrilha camponesa comandada por Mao Tsetung. No Brasil não poderia ser diferente: muitos estudantes, velhos militantes da esquerda e intelectuais começaram a organizar grupos guerrilheiros. Para eles, depois do AI-5 não havia mais espaço para a legalidade. Só a luta armada libertaria o Brasil.

Ao contrário do que você possa pensar, o PCB foi contra a luta armada. Os comunistas acreditavam que a luta no momento não era nem socialismo nem reformas básicas, mas pelo fim do regime autoritário. Sua estratégia era a de se unir a todos os grupos democráticos contra o regime. Atuaria, clandestino, no MDB.

Muita gente da esquerda considerou esse programa covarde, reformista (um xingamento horroroso, pois isso equivaleria a não ser um revolucionário. Mas naquele momento os comunistas eram qualquer coisa, menos revolucionários...). A juventude queria a mudança logo, a todo preço. E foram esses jovens, garotões e meninas, adolescentes ainda, estudantes e sonhadoras, que embarcaram na aventura da luta armada.

Um dos grandes gurus era o francês Regis Debray, que tinha sido companheiro de guerrilha de Che Guevara. Foi ele que lançou a teoria foquista: meia dúzia de combatentes criariam um foco guerrilheiro numa área rural. Primeira etapa, o treinamento militar. Depois, contato com a população. Ganham a confiança através do trabalho, da honestidade, de solidariedade. Imagine o efeito disso: o camponês jamais viu um médico e, de repente, aquelas pessoas o tratam com cuidado, curam seus filhos. Nesse processo, os guerrilheiros vão transmitindo suas idéias, mostrando que o latifúndio deveria ser confiscado, que os camponeses precisam se unir e se armar. E quando chegam os jagunços do fazendeiro, os guerrilheiros estão prontos para responder com fogo de armas de guerra, Pronto, está deflagrada a luta. Agora, junto com os camponeses que aderem ao movimento, eles se lançam para o mato. O Exército chega logo depois, quase sempre truculento: tortura moradores, incendeia barracos, molesta as meninas. O povo vê com clareza quem está do lado dele. Os guerrilheiros, por sua vez, nunca enfrentam o Exército de frente. As táticas incluem emboscadas, ações rápidas e fulminantes. Depois, a fuga veloz: sua mobilidade e ataques de surpresa são armas letais. Conhecem a região, contam com o apoio logístico dos moradores. Quase invencíveis. Mas este é um foco. A teoria foquista imaginava que surgiria outro foco ali, e mais outro adiante, e outro, e outro. Até que um dia esses focos começariam a se unir para compor um grande exército popular. Tal como ensinou Mao Tsetung, o campo cercaria a cidade. E a revolução seria vitoriosa.

Simples, não? É, simples demais para dar certo: havia muitos sonhos e pouco pé no chão. Como fazer guerrilha camponesa num país em que a maioria já vivia na cidade? Bem que o sinal de alerta já havia sido dado: em 8 de outubro de 1967, Che Guevara foi assassinado pela CIA, quando organizava um foco guerrilheiro na Bolívia. Não era um aviso de mau agouro?

Desde 1968 já existiam ações guerrilheiras. Mas o grosso mesmo foi entre 1969 e 1973. Havia um cacho de grupos de luta armada, diferentes nos objetivos e nas estratégias, embora no final todos visassem ao socialismo (já se disse que as esquerdas só se encontram na cadeia...). Uns achavam que primeiro era preciso derrotar a ditadura, outros achavam que já era possível lutar imediatamente pelo socialismo; uns achavam que primeiro era preciso organizar os trabalhadores e depois se lançar na guerrilha, outros achavam que através da luta guerrilheira os trabalhadores iriam se organizando; uns achavam que a guerrilha urbana era a mais importante, outros, que era a rural.

Não vamos estudar as minúcias das organizações. Basta dar uma idéia geral de como funcionavam as mais importantes: VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), o MR-8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro), a ALN (Ação Libertadora Nacional), o PCBR (PCB Revolucionário), o PC do B, a VAR-Palmares.

Quem eram esses guerrilheiros? Não eram muitos, apenas algumas centenas. Os simpatizantes, que eventualmente podiam esconder alguém em casa ou contribuir com dinheiro, não iam além de uns mil e poucos. Apesar de sonharem com a revolução proletária, havia poucos operários ou camponeses. Os líderes geralmente eram antigos comunistas, rompidos com o Partidão porque o PCB estava contra a luta armada. Ainda tinha um grupo importante de militares desertores do Exército. Muitos guerrilheiros eram como talvez você seja, amigo leitor, com 17 ou 18 anos de idade, estudantes secundaristas ou acabando de entrar na faculdade.

A maioria dos guerrilheiros foi presa antes de começar a luta armada no campo. Na verdade, a guerrilha ficou sendo urbana mesmo, sem repercussão maior. Houve algumas tentativas de panfletar na porta de fábricas, e um grupo chegou a levar um caminhão cheio de comida para distribuir na favela, anunciando aquela como “a primeira das muitas expropriações revolucionárias que o povo fará daqui em diante”. Pura ilusão. A repressão do governo agia com muita eficácia e rapidamente os grupos foram desmantelados. No final, tinham de assaltar bancos para levantar fundos para a luta e seqüestrar embaixadores em troca da libertação de presos políticos.

Desde o início a guerrilha já tinha muitos erros. Para começar, os guerrilheiros consideravam-se marxistas, mas quase nada tinham lido a respeito. Ninguém tinha feito uma análise profunda da sociedade brasileira para ter certeza de que aquela era a melhor estratégia a ser seguida. Por exemplo, sonhavam com uma guerrilha camponesa num país enorme que já era urbano e industrial. Queriam buscar seus próprios caminhos políticos, mas no fundo imitavam modelos de outros países, como Cuba e China. Falavam em nome dos trabalhadores, mas jamais tiveram um contato maior com a população. O povo, dominado pela propaganda oficial e pela imprensa censurada, os ignorava ou os tratava como bandidos, seqüestradores, assaltantes de banco, “terroristas”. Viviam tão fora da realidade, que só faltaram dizer que as vitórias do governo, pulverizando a guerrilha, eram “a mostra do desespero da burguesia em sua crise final”. Coitados, eram rapazes e moças que nunca tinham visto um revólver na vida enfrentando um Exército profissional bem equipado e com assessoria dos EUA. Nem dava para começar.

A única tentativa que teve alguma consistência foi a Guerrilha do Araguaia. Ela se desenvolveu mais ou menos entre 1972 e 1974, organizada pelo PC do B. Lembremos que, na época, ao contrário do PCB (que era de linha soviética e contra a luta armada) o PC do B seguia o socialismo chinês (o maoísmo) e apoiava a guerrilha. Pois bem, no começo dos anos 70, grandes empresas do Sudeste e multinacionais investiram em pecuária extensiva na região do Tocantins-Araguaia. Quando chegaram lá, já havia pequenas roças na mão de camponeses posseiros (não tinham documentos legais da propriedade da terra, apesar de trabalharem nelas havia muitos anos). Nem quiseram saber, passaram a fazer grilagem das terras (tomar ilegalmente). Quando o camponês não queria abandonar a terra, os capangas da empresa iam lá, ateavam fogo no barraco, destruíam a plantação, espancavam os moradores. Como você pode perceber, as lutas de classes entre os grileiros e os posseiros eram muito fortes. O PC do B quis aproveitar esse potencial de revolta e chegou na região para montar uma base de treinamento. Foram descobertos pelo Exército, que deslocou para região milhares de soldados. Contra uns 60 guerrilheiros. Numa região isolada do país, imprensa censurada, as pessoas só sabiam alguma coisa através de boatos. Mas na região do Araguaia até hoje as pessoas humildes se recordam do que aconteceu. Muitos militares abusaram do poder e espancaram brutalmente a população para que revelasse os esconderijos dos guerrilheiros. Os prisioneiros eram torturados de forma bárbara e muitos encontraram a morte depois que o corpo virou uma massa de pedaços de carne e sangue. Os guerrilheiros mortos foram enterrados em cemitérios clandestinos e até hoje as famílias procuram seus corpos. Em 1974, a guerrilha do Araguaia estava destruída.



O que dizer sobre essa loucura toda? Foram rapazes e moças, muitos ainda adolescentes, que tiveram a coragem de abandonar o conforto do lar, a segurança de uma vida encaminhada, a tranqüilidade da vida de jovem de classe média, para combater um regime opressor com armas na mão. Pessoas que dão a vida pelo ideal de libertação de seu povo não podem ser consideradas criminosas. Mesmo que a gente não concorde com os caminhos trilhados. Eles mataram? Certamente. Mas nunca torturaram. Nem enterraram suas vítimas em cemitérios clandestinos. E se o tivessem feito, nada disso justificaria a tortura e o assassinato executados pelo governo. Além disso, seria mesmo inadmissível pegar em armas contra um regime antidemocrático que esmagava o povo brasileiro? Que moral uma ditadura tem para definir como deve ser combatida?


fonte: www.culturabrasil.com

sexta-feira, 6 de novembro de 2009